ONU: Bolsonaro diz que Brasil ‘é vítima’ de desinformação sobre Amazônia e Pantanal

Presidente também afirmou que as entidades brasileiras e ‘impatrióticas’ se unem a instituições internacionais para prejudicar o País

Comentar
Compartilhar
22 SET 2020Por Da Reportagem15h00
Presidente Jair Bolsonaro durante gravação de discurso para a 75ª Assembleia Geral da ONUFoto: Marcos Corrêa/PR

Em discurso divulgado nesta terça-feira (22) na Assembleia das Nações Unidas (ONU), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou que o País é “vítima” de uma campanha “brutal” de desinformações sobre a Amazônia e o Pantanal. A reunião da ONU foi virtual em decorrência da pandemia da Covid-19.

Bolsonaro também disse que as entidades brasileiras e “impatrióticas” se unem a instituições internacionais para prejudicar o Brasil.

"Mesmo assim, somos vítimas de uma das mais brutais campanhas de desinformação sobre a Amazônia e o Pantanal. A Amazônia brasileira é sabidamente riquíssima, isso explica o apoio de instituições internacionais a essa campanha escorada em interesses escusos que se unem a associações brasileiras, aproveitadoras e impatrióticas, com o objetivo de prejudicar o governo e o próprio Brasil", disse Bolsonaro no vídeo.

No vídeo, o presidente disse que a floresta amazônica é úmida, por isso, o fogo não se alastra pelo interior da mata. Ainda de acordo com Bolsonaro, os incêndios são causados por "índios" e "caboclos".

"Nossa floresta é úmida e não permite a propagação do fogo em seu interior. Os incêndios acontecem praticamente nos mesmos lugares, no entorno leste da floresta, onde o caboclo e o índio queimam seus roçados em busca de sua sobrevivência, em áreas já desmatadas. Os focos criminosos são combatidos com rigor e determinação", disse o presidente.

No caso do Pantanal, as queimadas são resultados de altas temperaturas da região, segundo Bolsonaro.

"O nosso Pantanal, com área maior que muitos países europeus, assim como a Califórnia, sofre dos mesmos problemas. As grandes queimadas são consequências inevitáveis da alta temperatura local, somada ao acúmulo de massa orgânica em decomposição", afirmou.

Covid-19

No início do vídeo, o presidente Jair Bolsonaro lamentou cada morte causada pela Covid-19. De acordo com o presidente, ele sempre defendeu ações para preservar a saúde das pessoas e a economia.

"Desde o princípio, alertei, em meu país, que tínhamos dois problemas para resolver: o vírus e o desemprego, e que ambos deveriam ser tratados simultaneamente e com a mesma responsabilidade", disse.

No discurso, o presidente afirmou que a imprensa brasileira "politizou" o vírus e que as medidas de isolamento "quase" levaram o País ao "caos social'.

"Como aconteceu em grande parte do mundo, parcela da imprensa brasileira também politizou o vírus, disseminando o pânico entre a população. Sob o lema 'fique em casa' e 'a economia a gente vê depois', quase trouxeram o caos social ao País", completou Bolsonaro.

Derramamento de óleo

Ainda no discurso, ao falar sobre a questão ambiental, o presidente disse que o derramamento de óleo que atingiu a costa brasileira em 2019 foi “criminoso” e é venezuelano.

“Em 2019, o Brasil foi vítima de um criminoso derramamento de óleo venezuelano, vendido sem controle, acarretando severos danos ao meio ambiente e sérios prejuízos nas atividades de pesca e turismo”, disse o presidente.

Para ele, “as regras de proteção ambiental devem ser respeitadas e os crimes devem ser apurados com agilidade”.

A Marinha do Brasil finalizou a primeira parte das investigações em agosto, sem apontar culpados e sem indicar a origem do óleo. O derramamento atingiu o litoral de nove estados do Nordeste e dois do Sudeste, totalizando 130 municípios.