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Morre Isa Maack, esposa de médico preso no navio Raul Soares em Santos na época da ditadura militar

Dona Isa, ficou conhecida dos sindicalistas da Baixada Santista, ao acompanhar o esposo em suas visitas a Santos, ocasiões em que ele recebeu homenagens por sua atuação no atendimento de sindicalistas

Da Reportagem

Publicado em 02/06/2022 às 11:15

Atualizado em 02/06/2022 às 11:34

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Isa Maack esteve em Santos, na redação do DL, pela última vez em 2018 / Foto: Arquivo/ Diário do Litoral

Isa Maack, esposa do médico, Dr Thomas Maack, um dos prisioneiros da ditadura militar no navio-prisão Raul Soares, de tão triste lembrança para os santistas, morreu ontem, aos 83 anos, em Nova Iorque, nos Estados Unidos.

A informação foi passada pelo próprio médico que, junto com a esposa, buscou exílio nos Estados Unidos, logo após a desativação do navio-prisão, em novembro de 1964, onde refizeram a vida e criaram as suas duas filhas, a primogênita nasceu o Brasil e era um bebê quando o casal partiu para o exílio. A outra filha nasceu em Nova Iorque.

Dona Isa, ficou conhecida dos sindicalistas da Baixada Santista, ao acompanhar o esposo em suas visitas a Santos, ocasiões em que ele recebeu homenagens por sua atuação no atendimento de sindicalistas presos no navio Raul Soares, onde também foi um dos prisioneiros.

O casal esteve várias vezes na redação do Diário do Litoral, a última foi em 2018, quando Dr. Thomas recebeu mais uma homenagem, desta vez do Movimento de Justiça e Direitos Humanos, com sede em Porto Alegre (RS), cujo presidente Jair Kirche, veio a Santos especialmente para conhecê-lo e prestar-lhes a homenagem, que ocorreu na própria redação do DL.

VIGÍLIA AO NAVIO-PRISÃO 
Em 1964, durante início da ditadura militar, Dona Isa, junto com esposas e mães de sindicalistas portuários presos, fez vigílias no Porto de Santos, numa fiscalização diária ao navio Raul Soares, atracado próximo a Ilha Barnabé, no outro lado do estuário e transformado em cárcere flutuante pela ditadura militar.

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Nas vezes em que esteve em Santos, mencionou o sofrimento que foi passar pelo período em que o esposo foi preso, pois ficou muitos dias sem saber para onde o haviam levado. E, depois da prisão, um novo periodo de dificuldades e incertezas com a fuga do País e o exílio nos Estados Unidos.

DR THOMAS
Ao entrar em contato para informar a triste notícia do falecimento da esposa, Dr Thomas disse que a Isa faleceu em paz, rodeada pela família. E concluiu: "Ter a Isa como companheira e esposa por 62 anos foi o maior privilégio da minha vida".

O sepultamento será na própria cidade de Nova Iorque, nos Estados Unidos, País onde o casal se refugiou em 1964, para escapar da repressão da ditadura militar no Brasil.

 

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