Metrô 46 anos: companhia acumula críticas sobre falhas e promessas descumpridas

Companhia já foi escolhida como o melhor sistema de transporte da Capital, mas também é alvo de críticas por superlotação, falhas e atraso de entrega de novas estações

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28 SET 2020Por Gazeta de S. Paulo07h07
Movimentação na estação Barra Funda do Metrô durante a pandemiaFoto: Aloisio Mauricio/Fotoarena/Folhapress

Por Bruno Hoffmann

O Metrô de São Paulo completou 46 anos de operação neste mês. Em setembro de 1974, a primeira viagem oficial foi realizada entre as estações Jabaquara e Vila Mariana, na zona sul da cidade, em um percurso de 7 quilômetros. Desde então, a companhia já foi escolhida como o melhor sistema de transporte da capital paulista, mas também é alvo de críticas constantes de superlotação, falhas no sistema e atraso de entrega de novas estações.

O Metrô paulistano tem seis linhas, com 89 estações e 101,1 quilômetros de extensão, e transporta mais de 4 milhões de passageiros por dia (números de antes da pandemia, incluindo dados da ViaQuatro e ViaMobilidade, empresas que operam duas das linhas). Como comparação, o maior sistema de metrô do mundo é o de Xangai, na China, com 637 quilômetros, 17 linhas e 387 estações.

Pela previsão inicial, a sétima linha do metrô já deveria estar atendendo a população. Prometida para ser entregue em 2020, as obras da Linha 6-Laranja, que vai ligar a Brasilândia, na zona norte da cidade, à estação São Joaquim, no centro, estão paralisadas desde 2016 e devem ser retomadas até o fim deste ano.

Já a Linha 17-Ouro havia sido prometida para a Copa do Mundo de 2014, mas até agora não transportou nenhum passageiro, com uma sequência de paralisações, seja por decisão do governo, seja pela Justiça.

Neste mês, o Metrô suspendeu mais uma vez o edital para contratação da empresa responsável pelas obras de acabamento e paisagismo de sete estações da linha do monotrilho. A medida foi tomada após determinação da Justiça. A empresa que tinha vencido a licitação teve o contrato rompido pelo Metrô e acionou o Tribunal de Justiça. O governo do de São Paulo prevê a entrega dos 6,7 quilômetros para 2022.

Há um desejo antigo da população de que haja estações também na Grande São Paulo. O plano de o sistema chegar a Guarulhos, porém, não deve mais acontecer tão cedo. Prometida para ser entregue em 2013, o projeto inicial da expansão da Linha 2-Verde seguia até a cidade. Mas, agora, só vai até a estação Penha, na zona leste da Capital.

 

Por outro lado, há negociações entre o Metrô e a ViaQuatro para que a empresa ligue a estação Vila Sônia à de Taboão da Serra, na região sudoeste da Grande São Paulo. A extensão até Taboão da Serra, com uma parada intermediária da Chácara do Jóquei, já fora prometida pelo então governador Geraldo Alckmin (PSDB) em 2012.

A companhia publicou em agosto o aviso de mais uma licitação relacionada à linha 20-Rosa, prevista para ligar a cidade de Santo André, no ABC Paulista, à futura estação-terminal Santa Marina, na região da Lapa, na zona oeste da capital paulista. Não há previsão para as obras e muito menos para o início da operação.

CPTM

Complementando o transporte sobre trilhos, São Paulo conta com os trens da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), que tem 271 Km de linhas, 94 estações e transportam em média 3 milhões de passageiros por dia.

Em junho, a CPTM publicou o aviso de duas licitações para a expansão da linha 9-Esmeralda para Varginha, no extremo sul da cidade de São Paulo. A obra havia sido prometida originalmente para 2014, mas agora a primeira das duas extensões deve ser entregue à população apenas em 2021.

Outra linha prometida para a Copa do Mundo no Brasil foi a 13-Jade, que conectaria o aeroporto de Guarulhos à Capital. Ela, porém começou a operar de fato em 2018 e ainda não tem a sua conclusão definida.

De acordo com o site “ViaTrolebus”, especializado em transportes, o governo de São Paulo tem planos de levar o atendimento da linha para a estação Palmeiras-Barra Funda. Essa seria uma tentativa da administração estadual em elevar o uso da linha, que hoje não transporta mais que 16 mil passageiros por dia.