Governo de SP cede casas para desfazer ocupação de sem-teto no ABC

Famílias que invadiram e ergueram barracos em um terreno particular em São Bernardo do Campo resolveram deixar a área após um acordo

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20 MAR 2018Por Folhapress21h50

Após seis meses de embates, a "Povo Sem Medo", considerada a maior e a mais conhecida ocupação do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) no estado de São Paulo, está com os dias contados.

As famílias que invadiram e ergueram barracos em um terreno particular em São Bernardo do Campo (Grande São Paulo) resolveram deixar a área após um acordo firmado com a gestão Alckmin (PSDB).
No acordo mediado pela Justiça, o governo se propôs a entregar 2.400 casas aos integrantes do movimento. Em contrapartida, o MTST desocupará a área, de 78 mil metros quadrados, que pertence à construtora MZM.

O prazo para as famílias deixarem o terreno vence no dia 10 de abril, segundo termo assinado entre as partes no Grupo de Apoio às Ordens Judiciais de Reintegração de Posse, do Tribunal de Justiça paulista.
Mas nem o governo paulista e o MTST informaram se as famílias serão beneficiadas com aluguéis ou moradias improvisadas até a construção das casas.

Guilherme Boulos, coordenador do MTST e candidato à presidência pelo PSOL, disse apenas que o governo do Estado também cedeu quatro terrenos na região para a construção das moradias.

O acordo foi anunciado neste último domingo (18) por Boulos e virou uma grande festa na ocupação com direito a até queima de fogos. No entanto, a secretaria de Habitação do governo Alckmin não confirmou a disponibilidade dos terrenos.

Por meio de nota, disse apenas que as 2.400 casas estão garantidas e serão oferecidas "às famílias que se enquadrarem nos requisitos da política pública habitacional vigente". Na prática, as moradias populares serão construídas com recursos do programa Minha Casa Minha Vida.

Mega-acampamento

O acampamento "Povo sem Medo", situado em um terreno privado no bairro Assunção, em São Bernardo do Campo, foi erguido no dia 1º de setembro. O MTST estima que o local abriga entre 6.500 e 8.000 famílias.

Até obter o acordo com o governo do estado, o MTST promoveu protestos de toda a ordem, como a ocupação da sede da secretaria da Habitação por alguns dias, no centro de São Paulo, e uma marcha de 23 km entre São Bernardo do Campo e a capital paulista.

O movimento também ganhou aderência entre artistas, como Caetano Veloso, que propôs fazer um show na ocupação, mas teve o espetáculo vetado pela Justiça que alegou falta de estrutura.

O MTST diz que o terreno, da construtora MZM, estava vazio há mais de 30 anos. A proprietária entrou com um pedido de reintegração de posse na Justiça, que foi congelado até a concretização da parceria.
Embora esteja localizada numa região tradicionalmente industrial da cidade, o acampamento faz fronteira com uma vila e um condomínio residencial.