Doria diz que ele e Márcio França, vice de Alckmin, estão em 'campos opostos'

O vice-governador assumirá o Estado após a saída de Geraldo Alckmin, em 6 de abril, para o tucano disputar a Presidência

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19 MAR 2018Por Folhapress17h01
João Doria venceu as prévias do PSDB para disputar pela sigla o governo de São PauloJoão Doria venceu as prévias do PSDB para disputar pela sigla o governo de São PauloFoto: Divulgação/Fotos Públicas

O prefeito de São Paulo, João Doria, que nesse domingo (18) venceu as prévias do PSDB para disputar pela sigla o governo de São Paulo, disse nesta segunda (19) que ele e o vice-governador, Márcio França (PSB), estão em "campos opostos".

França assumirá o governo após a saída de Geraldo Alckmin, em 6 de abril, para o tucano disputar a Presidência, e concorrerá à reeleição por seu partido, o PSB. 

"Eu também respeito o vice-governador Márcio França, mas estamos em campos opostos, principalmente depois de ele receber o apoio explícito -e agradecer- do PDT do Ciro Gomes, do PC do B e também [pelo fato] de o seu próprio partido, o PSB, estar alinhado com o PT nas regiões Norte e Nordeste do país, e em outras regiões, defendendo o [ex-presidente] Lula ou os outros criminosos do PT", disse Doria ao inaugurar parte da Praça 14 Bis restaurada.

Segundo o prefeito, no momento em que França se tornar governador e candidato, seus campos serão "ideologicamente opostos".

Questionado se isso não seria um problema para Alckmin, que terá um palanque duplo em São Paulo -com Doria e seu atual vice-, o prefeito disse que, para ele, não seria. 

"Não sei se é um problema para o governador Geraldo Alckmin, mas para mim não é um problema. Eu tenho campo e tenho opção. É muito clara a minha visão: eu não me alio a ninguém da esquerda, nem de esquerda nem da extrema direita", afirmou.

O pré-candidato tucano ao governo disse ter recebido um telefonema de Alckmin nesta manhã afirmando que os dois estarão juntos e que já combinaram de se encontrar até o fim desta semana para combinar o "alinhamento" das campanhas. 

"A primeira ligação que eu recebi [de manhã] foi do governador Geraldo Alckmin me cumprimentando e dizendo 'agora juntos, a sua candidatura é a candidatura do PSDB'", afirmou. "A partir de 7 de abril [depois de deixarem seus atuais cargos], faremos campanha juntos aqui na capital, na região metropolitana, no litoral e o interior de São Paulo."

Mais cedo, em outro evento, ao ser questionado se estará ao lado de Doria ou França no palanque, Alckmin afirmou que apoiará Doria. "O candidato do meu partido é o João Doria. Portanto, estaremos juntos."

Prévias

Doria disse que o secretário estadual e deputado federal Floriano Pesaro e o empresário Luiz Felipe D'Ávila, que concorreram com ele pela candidatura do PSDB ao governo neste domingo, o procuraram para parabenizar pela vitória. O prefeito venceu com 80% dos votos. Pesaro teve 7,31% e D'Ávila, 6,59%.

"O único que não fez isso, que aliás guarda amargura no seu coração e muitas derrotas ao longo da sua vida, sobretudo recentemente, foi o Zé Aníbal", disse Doria, referindo-se ao suplente de senador José Aníbal, que teve 5,98% dos votos.

O prefeito alfinetou o ex-oponente, dizendo esperar que Aníbal reavalie "sua amargura o seu destempero verbal". "Ou então peça para sair. Vai encontrar um partido que seja tão amargurado quanto ele", afirmou.
José Aníbal foi o pré-candidato mais crítico a Doria desde que o prefeito formalizou sua intenção de concorrer ao governo do estado.