Doria divide Grande SP em cinco microrregiões após sofrer pressão de prefeitos

São cinco sub regiões: Alto Tietê, ABC, Alto Juqueri, Sudoeste e Oeste

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29 MAI 2020Por Da Reportagem14h40
Ainda na quinta-feira (28), os prefeitos de Diadema, Lauro Michels (PV), e de Mauá, Atila Jacomussi (PSB), amearam incluir barreiras nas vias que dão acesso aos municípios se o Doria não reconsiderasse a decisãoFoto: Divulgação / Governo do Estado

Nesta sexta-feira (29), o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), informou que a região metropolitana do Estado será dividida em cinco microrregiões. Essas regiões serão analisadas e terão datas próprias para o retorno gradual da economia.

"Considerando a complexidade, o seu tamanho e a disposição de prefeitos e prefeitas da região metropolitana, agora teremos cinco regiões de saúde. Com essa divisão, será possível ter uma análise mais precisa de critérios técnicos de saúde, classificação de fases de retomada consciente da economia e a definição apropriada para a região metropolitana", afirmou Doria.

O governo estadual dividiu a região em cinco grupos: Alto Tietê, ABC, Alto Juqueri, Sudoeste e Oeste.

PRESSÃO.
Chefes municipais de diversas cidades da Grande São Paulo se juntaram e foram ao Palácio dos Bandeirantes na quinta-feira (28). O objetivo era pedir uma nova análise da situação de flexibilização das cidades. Os prefeitos juntaram inúmeras alegações e apresentaram ao secretário estadual de Desenvolvimento Regional, Marco Vinholi.

A classificação das cidades é realizada baseada nos índices de isolamento social, disponibilidade de leitos de enfermaria e de UTI. A maioria das cidades da Grande SP que foram proibidas possui um índice de isolamento acima de 50%. Mesmo assim é menor que o recomendado, de 70%.

Mesmo com o índice abaixo do recomendado, os prefeitos do consórcio Intermunicipal do Grande ABC propuseram uma separação da região metropolitana de São Paulo. Com a divisão proposta, a região ficaria em seis microrregiões, com o ABC incluso em uma delas. Se aprovada, as cidades poderiam realizar a flexibilização a partir de segunda-feira, pois os representantes alegam que o índice de ocupação de leitos no ABC está melhor que a Capital.

As cidades que não haviam sido autorizadas a realizar o retorno gradual são da Grande São Paulo, Baixada Santista e Registro.

O secretário informou o motivo de a Grande São Paulo não ter entrado na faixa laranja e ter ficado na faixa vermelha. "Nós temos aqui dois índices principais: um é a taxa de transmissão do vírus, isso aqui na Capital e também na região metropolitana de São Paulo está dentro dos parâmetros do nosso Plano São Paulo. No que tange a capacidade hospitalar, a capacidade da Capital é muito superior a da região metropolitana, que ainda precisa melhorar a sua taxa de ocupação", disse Vinholi.

Ainda na quinta-feira (28), os prefeitos de Diadema, Lauro Michels (PV), e de Mauá, Atila Jacomussi (PSB), amearam incluir barreiras nas vias que dão acesso aos municípios se o Doria não reconsiderasse a decisão.

“Se não houver resposta, Diadema faz divisa com São Paulo e vamos instalar barreiras sanitárias no principal corredor e vamos causar problemas, porque precisamos nos proteger”, disse Michels em uma live com prefeitos, transmitida em redes sociais.

“Da mesma forma, Mauá vai fazer barreiras nas alças do rodoanel e na divisa com a zona Leste (da Capital), porque precisamos proteger nossa população do contágio da covid-19″, concordou Jacomussi.

CONSÓRCIOS.
Representantes dos consórcios da Grande São Paulo afirmaram que as cidades possuem as mesmas condições de flexibilizar a quarentena.

Já o Consórcio Intermunicipal da Bacia do Juqueri afirma que a capital do Estado não pode ser avaliada separada da região metropolitana.

"Se de repente a Capital abre para atividade comercial e requisita trabalhadores que vivem aqui na região, será impossível de a gente manter taxas de isolamento social que possam nos permitir uma abertura gradual. Então a gente discorda dessa tese de fazer dissociado da Capital e da Grande São Paulo justamente pelas características de mercado de trabalho e mobilidade das pessoas que se movimentam nessas cidades o tempo todo. As pessoas circulam. É impossível fechar os limites, é impossível ter uma estratégia diferente de uma cidade para outra, nesse conglomerado de mais de 20 milhões de pessoas", disse Kiko Celeguim, prefeito de Franco da Rocha.

O mesmo aconteceu com a região sudoeste. A secretária executiva do Consórcio Intermunicipal disse que "na região metropolitana o entendimento é quer todos deveriam ser iguais. Se flexibilizou na Capital, também tem que flexibilizar numa boa parte das cidades aqui da região metropolitana, principalmente essas que estão no limite com São Paulo”.