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Dia Mundial do Livro: brasileiro está lendo mais, mas longe do ideal

Nos três primeiros meses de 2022 houve crescimento de 7,52% no volume de livros vendidos no Brasil, mas o brasileiro ainda lê 2,6 livros por trimestre, em média

Segundo Samuel Seibel, presidente da Livraria da Vila, algumas lojas já ultrapassaram os resultados de 2019 / Divulgação

Na última segunda-feira, 18 de abril, celebrou-se o Dia Nacional do Livro Infantil e neste sábado, 23 de abril, comemora-se o Dia Mundial do Livro. Diante de duas datas tão emblemáticas para o setor editorial fica a pergunta: será que o Brasil tem o que comemorar? Segundo os especialistas ouvidos pelo Diário do Litoral, a resposta é sim e não; entenda.

Considerando-se os três primeiros meses de 2022, as notícias são positivas. De acordo com dados do 3º Painel do Varejo de Livros no Brasil em 2022, apresentados pelo Nielsen Bookscan e pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL), no período, foram vendidos 14,56 milhões de livros, com receita de R$ 661,30 milhões. Entre janeiro e março de 2021, as vendas somaram 12,59 milhões, com faturamento de R$ 567,63 milhões.

Observando apenas o intervalo compreendido entre 28 de fevereiro e 27 de março, foram comercializados 4,39 milhões de livros, que representaram um faturamento de R$ 191,58 milhões. Os números representam crescimento de 7,52% e 11,44%, respectivamente, quando comparados com igual período do ano passado. Entre os motivos para a alta está o retorno presencial às aulas.

O bom momento apurado pela pesquisa também foi sentido nas livrarias. Segundo Samuel Seibel, presidente da Livraria da Vila, algumas lojas já ultrapassaram os resultados de 2019, ou seja, de antes da pandemia.

“O varejo sem dúvida foi afetado fortemente pela pandemia, com lojas fechadas por vários dias em 2020 e 2021. Porém, em todos os momentos de portas abertas, principalmente nos últimos meses, o movimento tem sido muito bom, com o público comprando muitos livros, frequentando as livrarias e manifestando alívio por este retorno. A referência que todos usam, o ano de 2019, um dos melhores que tivemos na década passada, já foi atingida por algumas lojas e outras estão chegando lá”, conta Samuel.

Bom momento, mas é preciso calma
Na opinião do presidente do SNEL, Dante Cid, o momento é de otimismo, mas é preciso manter cautela sobre o futuro, especialmente, por conta da pressão que insumos, como papel e combustíveis, têm exercido sobre os preços dos livros. “No entanto, é extremamente encorajador ver estes resultados positivos no mês em que se comemoram o Dia Nacional do Livro Infantil e o Dia Mundial do Livro”, diz Dante.

Já Zoara Failla, coordenadora da pesquisa Retratos da Leitura do Instituto Pró Livro, acredita que os bons resultados das vendas apresentados nos últimos meses vêm das famílias de alta renda, que continuam movimentando o mercado. Para ela, o brasileiro ainda lê pouco e a tendência é que as próximas pesquisas do Instituto apure queda nos índices de leitura.

“Os brasileiros leem 2.6 livros – inteiros ou em partes – em um período de três meses. Destes 1,05 foi lido inteiro e 0.64 era livro de literatura. É considerado leitor aquele que leu, inteiro ou em partes, pelo menos um livro, nos três meses anteriores à entrevista – de qualquer gênero, incluindo bíblia e didáticos. A 5ª edição  da pesquisa foi aplicada no final de 2019 e 2020, portanto, antes da pandemia. Ela é aplicada a cada quatro anos, para avaliar o impacto das políticas públicas e mudanças no comportamento leitor do brasileiro. Não aplicamos nenhuma pesquisa durante a pandemia. Acreditamos, entretanto, dadas as dificuldades para estudantes acompanharem as aulas a distância, por não terem acesso à internet e, também, em razão da importância da presença do professor na alfabetização e na mediação para formar leitores,  que vamos identificar impacto negativo no percentual de leitores em uma próxima edição da pesquisa, em especial de crianças e jovens nas faixas entre 05 e 14 anos, e, de origem familiar mais vulnerável. Também o acesso ao livro foi bastante prejudicado, pois quase 70% dos estudantes do Ensino Fundamental I declararam na pesquisa que dependem das bibliotecas para acessarem os livros de literatura indicados pelos professores”, explica Zoara.

O futuro do livro no Brasil
Ainda segundo Zoara, o futuro do livro no Brasil passa pela escola. Isso porque, esclarece ela, apenas 18% dos brasileiros são leitores de literatura.

“Desde 2007 mantemos o patamar de 50% de brasileiros leitores, com pequena elevação em 2015 (56%), e uma queda em 2019 (52%). Lembrando que é considerado leitor até quem leu um trecho da Bíblia. Se considerar leitores de literatura (livro inteiro), temos somente 18% de leitores. Quase 50% dos entrevistados declararam não ter lido livro porque têm dificuldades para compreender o que leem. Ou seja, decodificam as palavras, mas não entendem o significado de uma frase. Dentre os motivos para isso está o fato da escola não estar conseguindo despertar o gosto pela leitura; 60% das escolas brasileiras não têm uma biblioteca; o professor não é leitor e tem dificuldades para desenvolver atividades que possam despertar o interesse das crianças pelo livro. Outro motivo é que 70% das famílias não são leitoras e não têm livros em casa”, diz.

Para mudar esta situação, Zoara aponta a necessidade de políticas públicas que garantam o acesso ao livro a todas as crianças e jovens, bem como campanhas que estimulem a leitura.

A mesma opinião é compartilhada por Samuel. “Reconheço que o índice de leitura no país é baixo, mas não "porque o brasileiro não lê", e sim porque o nível de educação está longe de ser o que precisamos. Educação e leitura estão intimamente conectadas. Democratizar o hábito da leitura deveria ser política pública”, finaliza.

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