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Cubanos começam a deixar País em dez dias

A data das primeiras partidas foi informada pela Embaixada ao presidente do Conasems, Mauro Junqueira, em reunião realizada ontem

Estadão Conteúdo

Publicado em 16/11/2018 às 16:20

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Os profissionais cubanos integrantes do programa Mais Médicos começarão a deixar o Brasil daqui a dez dias / Agência Brasil

Os profissionais cubanos integrantes do programa Mais Médicos começarão a deixar o Brasil daqui a dez dias, segundo informou ontem a Embaixada de Cuba ao Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems). Anteontem, o governo de Cuba anunciou a saída do programa brasileiro por causa de declarações do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), que exigia mudanças nas regras do acordo. Com o fim da parceria, 8,3 mil cubanos terão de deixar o Brasil.

A data das primeiras partidas foi informada pela Embaixada ao presidente do Conasems, Mauro Junqueira, em reunião realizada ontem e que teve também a participação de representantes da Organização Panamericana de Saúde (Opas), intermediária do acordo entre Brasil e Cuba. Segundo o diretor de Comunicação Social do Conasems, Diego Ávila, o governo cubano disse ainda que a ideia é que todos os médicos deixem o Brasil até o fim do ano.

"Eles não informaram quantos viajarão no primeiro grupo nem de quais cidades serão. Até porque ainda estão tentando organizar a viagem porque serão necessários muitos voos", explicou ele, que também é secretário de saúde de Piratini, cidade gaúcha de 20 mil habitantes onde quatro dos sete médicos de postos de saúde são cubanos.

"Vai ser um caos. Metade da população da minha cidade mora na zona rural e só tem atendimento pelo Programa Saúde da Família (PSF), que hoje só tem cubanos. Os três médicos brasileiros que trabalham com a gente têm jornada de 20 horas semanais e não podem atender pelo PSF (que exige dedicação de 40 horas semanais). O impacto será grande", afirma Ávila.

Secretário do município há 12 anos, ele conta que, antes da chegada dos cubanos, apenas 17% dos moradores da cidade tinham cobertura do PSF. Com os médicos estrangeiros, esse índice subiu para 70%. "Algumas comunidades na zona rural ficam a 80 quilômetros do centro da cidade, não têm linha de ônibus, o PSF é importante porque tem visitas domiciliares."

Segundo balanço do Conasems, 3.228 municípios brasileiros só têm médicos pelo programa federal (o número considera não só os cubanos, mas os outros estrangeiros e brasileiros também). Quase metade dos integrantes do programa, porém, são originários da ilha caribenha. Por isso, afirma o conselho, a saída dos cubanos deixará um "cenário desastroso".

Edital

O Ministério da Saúde afirmou que lançará um edital emergencial nos próximos dias para tentar repor os médicos cubanos. Disse ainda que estuda outras medidas para a contratação de profissionais, como a negociação com médicos graduados com apoio do Fies (financiamento estudantil).

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