Caio França pede mudança na MP que limita isenção de imposto para os PCDs

Rosana Valle deve convocar uma audiência pública na Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência para tratar do assunto

A deputada federal Rosana Valle (PSB) e o deputado estadual Caio França (PSB) participaram, nesta segunda-feira (29), de uma reunião virtual com uma comissão de Pessoas com Deficiência. A videoconferência tratou da Medida Provisória nº 1.034/21, publicada no Diário Oficial da União em 01/03/21, que acaba com a isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), tributação federal para veículos com valores acima de R$ 70 mil para o público PCD.

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Após a argumentação dos participantes, França solicitou à deputada federal que levasse a pauta para a Câmara Federal, e propôs um debate mais amplo a respeito do assunto já que a parlamentar compõe a Comissão dos Direitos da Pessoa com Deficiência. “Estamos desde o fim do ano passado engajados na luta pela preservação dos direitos das pessoas com deficiência, que têm sido violados de diferentes formas pelos governos estadual e federal”, destacou o parlamentar.

Rosana Valle ouviu as reivindicações e deve convocar uma audiência pública na Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência para tratar do assunto. “Vamos propor emendas à MP e explicar que o valor fixado não atende à demanda do segmento. Em uma semana espero retornar com a data dessa audiência para que todos possam contribuir”, assegurou a deputada.

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Tânia Mara, que realiza processos de isenção como despachante e é mãe de um autista, disse que a lei estadual nº 17.293/20 do governador João Doria já havia sido um golpe duro no que compete à suspenção do IPVA (Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores) em veículos zero quilômetro para grande parte do segmento, com a justificativa de ajuste fiscal e equilíbrio das contas públicas. “Hoje no mercado praticamente não existe opção de veículo para adquirir com isenção. Isso é ruim para todos, inclusive para a economia do País”, destacou.

Ela relembrou que a Convenção sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência adotada pela ONU (Organização das Nações Unidas), em 2006, reconhece “a importância da acessibilidade aos meios físico, social, econômico e cultural, à saúde, à educação e à informação e comunicação, para possibilitar às pessoas com deficiência o pleno desfrute de todos os direitos humanos e liberdades fundamentais.”

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Itamar Garcia, despachante e cadeirante, ressaltou também a mudança de dois para quatro anos no prazo de renovação do benefício. “Essa MP inviabiliza toda e qualquer compra. No último ano, os carros tiveram um aumento de 30% em razão da alta do dólar, da crise econômica. Os carros que atendem os cadeirantes, com porta-malas maior para abrigar a cadeira de rodas têm um custo altíssimo”, alertou.

Os participantes lembraram ainda de toda a luta do deputado Caio França nos últimos seis meses, desde a apresentação do PL 529/20 na Assembleia Legislativa de São Paulo, por meio de realização de audiências públicas com autoridades e com o segmento PcD para apontamento das distorções contidas no texto original envolvendo os critérios de isenção de IPVA. A lei nº 17.29320 foi sancionada e começou a vigorar em 2021. O resultado tem sido uma série de mandados de segurança suspendendo a ação da mesma, ou seja, a judicialização do tema.

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Em meio à essa batalha, o PSB (Partido Socialista Brasileiro) também propôs uma Adin (Ação Direta de Inconstitucionalidade) contra os dispositivos que envolvem os benefícios retirados dos PcDs.

A Medida Provisória já está em vigor desde a data de sua publicação. O Congresso tem 120 dias para aprová-la. Após esse período, a norma perde a validade.