Butantan abre pré-cadastro para voluntários dos testes da Butanvac

Interessados devem acessar a página do Butantan e seguir as instruções; participarão 418 voluntários acima de 18 anos na fase 1

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16 JUN 2021Por Gazeta de S. Paulo18h04
João Doria, governador de São Paulo, durante coletiva no Palácio dos BandeirantesJoão Doria, governador de São Paulo, durante coletiva no Palácio dos BandeirantesFoto: Reprodução / Facebook

O governador João Doria (PSDB) anunciou nesta quarta-feira que o Instituto Butantan abriu o pré-cadastro dos voluntários interessados em participar dos estudos clínicos da Butanvac, vacina brasileira contra o novo coronavírus. Os interessados devem acessar a página butanvac.butantan.gov.br e seguir as instruções para o preenchimento do cadastro. Participarão 418 voluntários acima de 18 anos na fase 1.

“O Instituto Butantan lança hoje o programa com orientação para voluntários acima de 18 anos que desejam participar da fase de testes da Butanvac, a nova vacina produzida sem depender de insumos importados. Os ensaios clínicos serão realizados pelo Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, em Ribeirão Preto. Nesta fase 1 participarão 418 voluntários selecionados acima de 18 anos, e não precisa ser médico ou enfermeiro”, explicou Doria.

Inicialmente, os ensaios clínicos da fase 1 serão feitos pelo Hospital das Clínicas, da Faculdade de Medicina da USP (Unidade de São Paulo) de Ribeirão Preto, com 418 voluntários. Outros centros de pesquisa de excelência já manifestaram interesse e serão anunciados em breve. As fases 2 e 3 deverão recrutar até 5 mil voluntários.

O Instituto Butantan já possui 8 milhões de doses estocadas da Butanvac, que passará por estudos clínicos que provarão sua segurança e eficiência antes de ser aprovada para uso pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Em outubro, a expectativa é ter 40 milhões de doses prontas para o uso.

“A Butanvac é a vacina versão 2.0. É uma evolução à primeira geração de vacinas, não só sob o ponto de vista da resposta imune, mas também da plataforma produtiva. É uma vacina feita na plataforma da vacina da gripe e tem enormes vantagens: pode estar disponível em grande volume para o mundo e por um custo muito menor do que as vacinas que sendo usadas”, reforçou o presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas.

Sobre a Butanvac

De acordo com informações do Governo de São Paulo, a tecnologia da Butanvac utiliza o vírus da Doença de Newcastle geneticamente modificado desenvolvido por cientistas norte-americanos na Icahn School of Medicine at Mount Sinai, em Nova York, nos Estados Unidos. O vetor viral contém a proteína Spike do coronavírus de forma íntegra.

O desenvolvimento complementar da vacina é todo feito com tecnologia do Butantan, incluindo a multiplicação do vírus, condições de cultivo, ingredientes, adaptação dos ovos, conservação, purificação, inativação do vírus, escalonamento de doses e outras etapas.

A Doença de Newcastle é uma infecção que afeta aves e, por isso, o vírus se desenvolve bem em ovos embrionados, permitindo eficiência produtiva num processo similar ao utilizado na vacina de Influenza do Butantan. O vírus da doença de Newcastle não causa sintomas em seres humanos, constituindo-se como alternativa muito segura na produção. Ele é inativado para a formulação da vacina, facilitando sua estabilidade e deixando o imunizante ainda mais seguro.

A tecnologia para a produção da Butanvac já é usada há 10 anos na fábrica de vacinas contra a gripe do instituto, e usa o cultivo de cepas em ovos de galinha, que gera doses de vacinas inativadas, feitas com fragmentos de vírus mortos.