Busca pela maternidade mostra como as mães são todas diferentes

O Dia das Mães, celebrado no próximo domingo, 14, é para homenagear todas elas

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07 MAI 2017Por Folhapress08h30
Talvez o que toda mãe tenha em comum seja o sentido de imperfeiçãoFoto: Divulgação

"Mãe é tudo igual, só muda de endereço". Esse dizer antigo não podia estar mais errado: mãe é tudo diferente. Cada uma é uma. Talvez o que toda mãe tenha em comum seja o sentido de imperfeição.

O Dia das Mães (no domingo, 14) é para homenagear todas elas. Aquelas que não estão mais aqui, as que queriam estar mais presentes, aquelas para quem a maternidade foi a melhor coisa da vida e as que fazem o possível.

Escolhemos três mães para representar toda essa "categoria" diversificada. Leia, a seguir, a história delas.

O toque do telefone

"Vocês ainda têm interesse em adotar uma criança?", foi a pergunta do outro lado da linha. A vida de Camila Martines, 32, mudou completamente com um telefonema.

Ela e o marido, Eduardo Martines da Silva, 38, começaram a namorar quando ela tinha 15 anos. Casaram-se em 2009. Mesmo com tratamentos hormonais (e até simpatias), ela nunca engravidou.

Em dezembro de 2014, eles entraram com o pedido de adoção na Vara da Infância e da Juventude de Itaquera.

Depois, cumpriram uma peregrinação burocrática para reunir documentos e receber visitas de assistentes sociais.

"Até escrevi uma carta ao meu filho, explicando como foi a adoção", diz Camila.

Em novembro de 2016, foram chamados para conhecer João Vitor, de um ano e quatro meses.

"Finalmente, o quartinho mobiliado agora tem vida", celebra a mãe.

Rei Leão

Imagine uma casa em que para entreter as crianças, a mãe se senta ao piano e entoa canções do musical "O Rei Leão". Na plateia, os gêmeos de seis anos, Mia e Gael, filhos de Mariana Elisabetsky, 38, e Paula Izzo, 42.

Mariana é atriz, cantora, dentista e, mais recentemente, roteirista e tradutora. "Quando tive filhos, quis buscar uma atividade que pudesse fazer de casa", conta.

São dela as versões em português de canções do filme "A Bela e a Fera" e da animação "Moana", da Disney.
Mariana sempre sonhou com a maternidade. Aos 17 anos, quando começou a namorar meninas ficou sem saber como conciliaria o sonho com sua orientação sexual.

Aos 18, teve diagnosticada uma mutação nos genes BRCA, alteração que eleva as chances de mulheres com mais de 30 anos de desenvolverem câncer de mama. Mariana decidiu, então, que ficaria grávida antes dos 30.

Aos 29 anos, interpretou a boneca Emília em uma montagem de "Sítio do Picapau Amarelo", na qual Paula trabalhava como cenógrafa. As duas se apaixonaram. Mariana contou a Paula o projeto de ser mãe. Paula topou.

As duas procuraram um médico de reprodução e escolheram um doador anônimo após avaliar, segundo Mariana, diferentes características (como idade, cor de olhos e cabelos e hábitos de vida) em "uma planilha de Excel".

Os óvulos e a barriga usados na gestação foram de Mariana. Paula passou por tratamento para também amamentar, mas o volume de leite que ela produziu não era suficiente para a mamada.

Mariana amamentou por um ano e dois meses. Há dois anos, o casal se separou. Mas elas seguem juntas no projeto de maternidade.

Amor de novela

Tatiana Herrerias e Augusto Machado, 46, a Tati e o Guga, viveram uma história de amor digna de novela. Conheceram-se na juventude. Ela tinha 16 anos e ele 22.

Mas se perderam de vista. No primeiro casamento, que durou dez anos, Tati fez inseminação artificial, mas perdeu o bebê.

Guga casou-se com a mãe de suas filhas mais velhas, Beatriz, 14, e Ana Clara, 4.

Tati e Guga estavam separados quando se reencontraram por meio de redes sociais. Estão casados há dois anos. Júlia nasceu no dia 4 de abril deste ano, com pouco mais de 3 kg e 48 cm.

Tati completou 41 anos no dia 16 de abril. "Parei de tomar pílula aos 40. Três meses depois, estava grávida. Quando a menstruação atrasou, pensei que era menopausa. Nunca achei que fosse engravidar", diz a enfermeira. "Minha gestação foi perfeita."