Brasil sofreu mais de 3,4 bilhões de tentativas de ataques cibernéticos em 2020

O Brasil sofreu mais de 3,4 bilhões de tentativas de ataques cibernéticos de janeiro a setembro deste ano; home office pode ter influenciado no número

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04 DEZ 2020Por Gazeta de S. Paulo21h15
Aumento do uso do home office na pandemia pode ter influenciado número de crimes virtuaisAumento do uso do home office na pandemia pode ter influenciado número de crimes virtuaisFoto: Sepy

*Por Aline Fonseca

Os ataques virtuais são crimes que preocupam autoridades de todo o mundo. Neste ano, de janeiro a setembro, o Brasil sofreu mais de 3,4 bilhões de tentativas de ataques cibernéticos, e um total de 20 bilhões em toda a América Latina e Caribe, de acordo com dados coletados pela Fortinet, empresa de segurança cibernética.

No País, os ciberataques têm ocorrido em sistemas particulares e do governo. Recentemente, um grupo de hackers expôs dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em links para download e tentou invadir o sistema de totalização de votos do Tribunal no primeiro turno das eleições municipais.

O aumento do uso de redes acessadas em home office, devido à pandemia da Covid-19, pode ter influenciado no número elevado de crimes cibernéticos neste ano, conforme explica José Antonio Milagre, advogado e perito especializado em Direito Digital e Crimes Cibernético. 

“Tivemos um aumento de crimes cibernéticos contra o patrimônio a partir do momento em que profissionais tiveram que trabalhar em home office, sem que a empresa tivesse um programa de segurança em teletrabalho. Resultado, muitos golpes, fraudes e códigos maliciosos que infectaram não só o computador do empregado, mas a rede da empresa. O aumento das reuniões e atividades on-line, diante do distanciamento, também fomentou novas abordagens. Recebemos notificações de golpes do leilão, invasão de reuniões sigilosas e até transferências indevidas de valores a partir da invasão a contas bancárias”, esclarece o advogado.

Questão de segurança.
Segundo Relatório de Ameaças à Segurança na Internet (ISTR, na sigla em inglês), o Brasil foi o sétimo país que mais gerou ciberataques no mundo em 2017. Para José Antonio, punições brandas e carência de profissionais para investigar os crimes cometidos são alguns dos fatores que contribuem para que o País venha despontando como um dos principais países em números deste tipo de crime. Além disso, o advogado destaca que o Brasil pode ter prejuízos caso não priorize a segurança virtual.

“Crime cibernético é um assunto sério e que não tem a atenção devida dos governos. As principais entidades que hoje atuam no combate foram criadas pela iniciativa privada, como o IDCI – Instituto de Defesa do Cidadão na Internet, onde prestamos apoio técnico e emocional às vítimas, educamos e realizamos pesquisas sobre a área, para alertar a governos e autoridades. Um país sem segurança cibernética é um país inseguro para se investir em negócios, cada vez mais assentados na tecnologia. O Brasil precisa tratar esta questão como prioritária”, diz.

Projeto de Lei
Na última semana, o deputado Célio Studart (PV-CE) apresentou um projeto de lei que aumenta as penas previstas no Código Penal para crimes cibernéticos por fraude e invasão a dispositivo informático. De acordo com o texto, a ação com intuito de obter, adulterar, destruir dados ou informações ou instalar vulnerabilidade resultará em pena de reclusão de dois a cinco anos e multa. Atualmente, a legislação prevê pena de detenção de três meses a um ano.

O projeto ainda deverá ser colocado em pauta para votação na Câmara dos Deputados, o que não tem prazo para acontecer.