Baixada tem atos em defesa das eleições e contra Bolsonaro

Partidos de oposição e grupos ativistas fizeram neste sábado, por todo o País, a quarta manifestação contra o governo em dois meses

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25 JUL 2021Por Estadão Conteúdo11h55
Segundo os organizadores, houve protestos em mais de 300 cidades, entre elas SantosSegundo os organizadores, houve protestos em mais de 300 cidades, entre elas SantosFoto: DIVULGAÇÃO

Fechando uma semana politicamente tensa, marcada pelas ameaças do ministro da Defesa, Walter Braga Netto, de que eleições sem voto impresso não seriam aceitas em 2022 - reveladas pelo Estadão - e pela chegada do senador Ciro Nogueira (PP-PI) à Casa Civil da Presidência, partidos de oposição e grupos ativistas fizeram neste sábado, por todo o País, a quarta manifestação contra o governo em dois meses.

Segundo os organizadores, houve protestos em mais de 300 cidades, entre elas 19 capitais. Sob o título #24JContraBolsonaro -, eles pediram o impeachment do presidente e criticaram a gestão da pandemia, a alta do preço dos alimentos e defenderam as eleições de 2022.

Em Santos, foi lido na abertura do ato manifesto sobre o Dia das Mulheres Negras Latinoamericanas e Caribenhas e Dia Nacional Tereza de Benguela, data fundamental para o conjunto da sociedade brasileira, que têm na construção social, laboral e cultural das mulheres negras formação das bases civilizatórias que dão vida a esta sociedade e que reiteradamente são objetos de toda sorte de violações de direitos.

"Ocupamos a rua para, mais uma vez,  mostrar nossa indignação com as atrocidades do governo Bolsonaro, contra a privatização dos Correios, contra a Reforma Administrativa. Por todos os pais, mães, filhos e filhas, amigas e amigos que já perdemos para uma doença que já temos vacina", disse Cidinha Santos, do Fórum da Cidadania e da Coalizão Negra por Direitos. "O genocídio negro continua, precisamos enfrentá-lo! Exigimos o expurgo de Bolsonaro da presidência da república do Brasil."

Em São Paulo, o ato ocupou parte da Avenida Paulista e foi menor e mais disperso que os anteriores. Todos os 15 quarteirões da avenida foram fechados para carros, mas os manifestantes se dividiram em bolsões entre os 8 quarteirões entre a Consolação e a rua Pamplona. Onze carros de som estavam estacionados em pontos estratégicos. No primeiro, no começo da Paulista, estavam o PSDB, PDT, Cidadania, grupos de renovação de matriz liberal como Livres e Acredito, e outras lideranças.

Bandeiras com o nome de Ciro Gomes e Bruno Covas dividiram espaço com faixas do Solidariedade e movimentos de mulheres. Nos bastidores, os organizadores se esforçaram para evitar um novo confronto entre militantes do Partido da Causa Operária (PCO) e do PSDB, como aconteceu na última manifestação.

O PCO montou uma barraca em frente ao Masp, onde estava seu carro de som que reuniu as principais lideranças. Foi lá que o ex-prefeito Fernando Haddad (PT) e o líder do MTST, Guilherme Boulos (PSOL) - os políticos de maior expressão presentes - discursaram. O ex-presidente Lula sequer cogitou aparecer. "Não vamos esperar sentados até 2022. O barco do Bolsonaro começou a afundar, e eles chamaram o centrão para conduzir o barco. Logo ele que na eleição de 2018 dizia que era da fora da política e ia acabar com a mamata", disse Boulos, que também disse esperar que em 2022 o presidente "não esteja na urna, mas no Tribunal de Haia".

 

"O Braga Neto deve estar com medo do que vai acontecer a partir da semana que vem. Quando esse povo estiver vacinado, vamos encher as ruas deste país. São 507 cidades unidas contra o Bolsonaro", disse Haddad em sua intervenção.

À noite, alguns manifestantes entraram em confronto com a Polícia Militar. A PM informou em seu Twitter que algumas pessoas quebraram vidros de uma agência do banco Itaú e tentaram tirar tapumes da frente de uma concessionária da Hyundai, na Consolação.

A Tropa de Choque usou bombas de gás lacrimogêneo. Alguns manifestantes permanecem na Praça Roosevelt. No início da noite, o governador João Doria (PSDB), disse, em nota: "Condeno o vandalismo nas manifestações de hoje. Quem age como vândalo é tão autoritário e violento como aquele que é alvo do protesto". Segundo ele, a PM de SP "agirá sempre que houver quebra da ordem".

Além dos protestos em São Paulo, destacaram-se os feitos no final da manhã no Rio, Brasília, Belo Horizonte e Recife. No Rio, os grupos se concentraram junto ao Monumento a Zumbi dos Palmares, ocupando ao longo de 300 metros as pistas da Avenida Getúlio Vargas. No principal carro de som, o deputado federal Alessandro Molon (PSB-RJ) pediu a prisão de Bolsonaro "por negligência na condução do combate à pandemia". Segundo ele, ,o presidente "não pode apenas ser tirado da Presidência, tem de ir para a cadeia".

Em Brasília, os manifestantes se reuniram no meio da tarde no Museu Nacional e dali marcharam para a Esplanada dos Ministérios, com cartazes dizendo, entre outras frases, "Mais de 520 mil mortes", "Vacina para todos" e "Não tire a máscara, tire o Bolsonaro". Um pixuleco do presidente foi inflado pelos manifestantes.

Em Salvador, o protesto reuniu algumas centenas de pessoas, sob chuva fraca em alguns momentos, entre 10 da manhã e 12h30. No Recife, a concentração começou às 10 horas, na região central da cidade, onde além das bandeiras dos partidos de esquerda havia outras do Brasil, de Cuba e da Palestina. "Essa é a vontade do povão, o Bolsonaro vai pra prisão", dizia um dos cartazes. Houve ainda manifestações em São Luís, onde os manifestantes contaram com a companhia do grupo Evangélicos pelo Fora Bolsonaro - e em Maceió, Vitória, Fortaleza, Aracaju, João Pessoa, Natal, Teresina, Belém, Palmas, Goiânia, Campo Grande, Florianópolis e Porto Alegre.

No interior de São Paulo, em cidades como Campinas, Sorocaba, Bauru e Jundiaí, os manifestantes voltaram a protestar pedindo mais vacina, auxílio emergencial de R$ 600 e cobraram dos parlamentares o impeachment contra o presidente.