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Após pressão, Doria cancela palestra cobrada de empresários em SP

A administração municipal diz ainda que a participação do prefeito não representaria qualquer ilegalidade, nem feriria a moralidade e a ética públicas

João Doria (PSDB) cancelou a participação que faria em evento do Lide / Divulgação

O prefeito João Doria (PSDB) cancelou a participação que faria em evento do Lide, empresa fundada pelo tucano e conhecida por pedir contribuições de empresários para organizar palestras com políticos.

"Para evitar que haja qualquer tipo de interpretação distorcida sobre sua conduta, o prefeito de São Paulo, João Doria, decidiu declinar o convite para ministrar palestra durante almoço organizado pelo Lide", diz a gestão tucana.

A administração municipal diz ainda que a participação do prefeito não representaria qualquer ilegalidade, nem feriria a moralidade e a ética públicas. "Tanto é que os últimos três prefeitos da cidade de São Paulo participaram de eventos semelhantes promovidos pelo Lide, que há 14 anos realiza almoços com a participação das mais diversas autoridades públicas e de centenas de líderes empresariais."

No dia 19 de janeiro, a Folha de S.Paulo revelou que o Lide havia enviado a empresários um e-mail pedindo dinheiro para financiar o "almoço-debate" com líderes empresariais no dia 6 de março, no hotel Grand Hyatt, na capital paulista, com apresentação do prefeito recém-empossado.

Conforme o e-mail, os presidentes das empresas que pagarem uma cota de "copatrocínio" de R$ 50 mil terão o direito de se sentar à mesa principal com Doria.

As companhias parceiras também poderão exibir seus logotipos em banners no palco do evento, além de outras aparições das marcas.

Na última quinta (19), a liderança do PT na Câmara Municipal entrou com uma representação no Ministério Público de São Paulo para pedir a suspensão da palestra do prefeito.

Filhos

Para evitar acusações de conflito de interesse, Doria começou a tomar algumas medidas desde 2015, antes de se tornar candidato.

O empresário, que costumava ser mestre de cerimônia dos almoços, cedeu espaço para que outro fundador, o ex-ministro Luiz Fernando Furlan, fortalecesse seu papel à frente da instituição. Durante a campanha, anunciou que passaria o comando acionário das empresas do Grupo Doria a seus filhos.

Para especialistas ouvidos pela reportagem, no entanto, apesar de o prefeito ter se afastado das empresas, a captação de dinheiro privado por parte do Lide para financiar sua palestra ainda se enquadra em um caso delicado.

"Existe um flagrante conflito de interesse na medida em que ele é o prefeito da cidade, e as empresas podem se sentir intimidadas e temerosas de sofrer retaliações do poder público caso não contribuam", afirma Rafael Alcadipani, professor de estudos organizacionais da FGV (Fundação Getulio Vargas) Eaesp.

"É preciso tomar cuidado para que esses financiadores não sejam fornecedores da prefeitura no futuro", diz Jaime Crozatti, professor da USP (Universidade de São Paulo) especializado em gestão de políticas públicas.

Empresários relatam que a estratégia da equipe do Lide para captar recursos é insistente. Enquanto Doria ainda chefiava o Lide, não era raro que ele próprio ligasse para reiterar o pedido de patrocínio quando algum dono de empresa negava o apoio.

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