Após operação, Doria instala revista policial para acesso à cracolândia

A função está a cargo da Guarda Civil Metropolitana, que está revistando mochilas das pessoas que entram nas quadras próximos da rua Helvétia e da alameda Dino Bueno

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22 MAI 2017Por Folhapress22h30
Após operação, Doria instala revista policial para acesso à cracolândiaApós operação, Doria instala revista policial para acesso à cracolândiaFoto: Divulgação

A gestão João Doria (PSDB) criou neste segunda-feira (22) barreiras policiais para revistar pessoas que entram no quarteirão da cracolândia, na região central de São Paulo.

A função está a cargo da Guarda Civil Metropolitana, que está revistando mochilas das pessoas que entram nas quadras próximos da rua Helvétia e da alameda Dino Bueno. Os agentes estão barrando, principalmente, barracas, carroças e lonas para evitar que os dependentes químicos se instalem novamente no local.

As barracas foram retiradas após operação policial no domingo (21). Segundo a atual gestão, a corporação permanecerá no local para evitar o retorno dos usuários. Durante a campanha para prefeito, o deputado federal e então candidato Celso Russomanno (PRB) havia proposto tática semelhante para sufocar a venda de drogas na vizinhança.

Dono de uma lanchonete no local há 30 anos, Nel Saad, 50, afirma que a ação apenas transferiu o problema de lugar. "Se não colocarem em nenhum lugar os viciados, vai ser como tirar da minha casa e colocar na sua", diz.

Ele afirma achar injusto que, agora que os usuários foram tirados do local, haja a ameaça de demolição dos comércios. "Já vieram até medir aqui. Você passa anos roendo o osso e quando chega a carne seca não pode morder", diz.

Em 2012, outra operação policial também retirou os viciados do lugar. Os dependentes que se concentravam no local se dispersaram para outros pontos da região, como no domingo.

Há 15 anos na cracolândia, a agente de turismo Denise Santos, 41, diz que a operação feita desta vez foi mais pacífica. "Tenho fé que que dessa vez melhore. Os viciados não mexiam com a gente, mas os clientes não estavam mais vindo", disse.

Com o esquema de segurança, os usuários de drogas passaram a se concentrar em ruas nos arredores, em grupos menores. No perímetro onde costumavam ficar, há ao menos 12 carros da GCM. Apesar das equipes de limpeza trabalhando, ainda há sujeira pelas ruas.

CENTRO PSICOSSOCIAL

Nesta segunda, a gestão João Doria prometeu a instalação de um Caps (centro psicossocial) na área em uma semana. A ideia é que o local faça o atendimento ambulatorial dos usuários de drogas, diz o secretário municipal da Saúde, Wilson Pollara.

A construção será pré-fabricada, em uma esquina da rua Helvétia. Pollara esteve na região acompanhado do secretário estadual da Saúde, David Uip. Segundo os secretários, 300 pessoas foram acolhidas, 100 atendidas pelo Recomeço e 12 internadas voluntariamente.

"[O programa] Redenção vai ser o Caps e o acolhimento de rua. A internação vai para o Estado", disse Pollara. Ele afirmou que não haverá mais necessidade da concentração de equipamentos onde o fluxo de viciados costumava ficar. "Agora temos que fazer pela cidade inteira. Logicamente as pessoas que vierem [para a cracolândia] serão abordadas para atendimento, assim como em qualquer lugar da cidade", disse.

O secretário David Uip afirmou que já estava previsto o espalhamento dos viciados em drogas pela cidade. Agora, o trabalho de atendimento será feito por meio da abordagem de usuários de crack por equipes municipais e estaduais.