Ao dizer que Alemanha cancelou lockdown, Bolsonaro distorce motivo e inventa declarações

O presidente se referiu ao anúncio feito por Merkel na quarta-feira (24), quando ela recuou dos planos de promover um confinamento total durante o feriado de Páscoa

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25 MAR 2021Por Folhapress18h30
Jair Bolsonaro (sem partido) comentou a decisão do governo alemão de cancelar uma paralisação rígida do país durante a Semana Santa.Jair Bolsonaro (sem partido) comentou a decisão do governo alemão de cancelar uma paralisação rígida do país durante a Semana Santa.Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Um dia depois de ter sido cobrado pelo presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), por uma correção de rumo no combate à pandemia, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) comentou a decisão do governo alemão de cancelar uma paralisação rígida do país durante a Semana Santa.

O presidente, no entanto, omitiu o motivo do recuo do governo alemão: o aviso sumário não dava tempo para o cancelamento de planos da população, e por isso foi revisto. Em vez disso, ele alegou que a mudança ocorreu porque os efeitos do confinamento seriam mais graves do que as consequências do vírus -algo que não foi dito pela chanceler (equivalente a primeira-ministra) do país.

"A Angela Merkel ia ter um lockdown rigoroso lá e ela cancelou, pediu desculpas. Ela falou lá, segundo a imprensa, que os efeitos do fechar tudo são muito mais graves do que os efeitos do vírus, palavras delas, não é minha não", disse Bolsonaro, em conversa com apoiadores em frente ao Palácio da Alvorada.

A declaração de Bolsonaro foi transmitida por um site simpático ao presidente.

O presidente se referiu ao anúncio feito por Merkel na quarta-feira (24), quando ela recuou dos planos de promover um confinamento total durante o feriado de Páscoa, anunciados um dia antes.

A líder alemã afirmou que a decisão de elevar as restrições fazia sentido, "porque é absolutamente necessário desacelerar e reverter a terceira onda da pandemia", mas não houve planejamento prévio suficiente.

Com o número de novos casos em alta há quatro semanas consecutivas, o governo havia decretado que todas as lojas ficariam fechadas de 1º a 5 de abril, com exceção de mercados no sábado, dia 3, e as cerimônias religiosas presenciais, suspensas.