Ameaça de rompimento de barragem separa animas de seus donos em Barão de Cocais

Um dos pontos mais preocupantes é o distrito de Socorro, que pode ser um dos primeiros a ser atingidos.

Comentar
Compartilhar
25 MAI 2019Por Estadão Conteúdo17h31
Veterinários e voluntários de ONGs se mobilizam para resgatar animais atingidos pelo rompimento da barragem em Brumadinho (MG).Foto: Ricardo Stuckert/Fotos Públicas

Termina hoje o "prazo" dado inicialmente pelas autoridades estaduais para o rompimento do talude da Mina de Gongo Soco. Durante a semana, o avanço do talude foi de 7 para 16 centímetros em seu pé. O governo do Estado acredita no rompimento do talude, o que pode levar ao afundamento da cava e, com até 15% de chance, à ruína da barragem próxima de Cocais, o que pode resultar em uma inundação catastrófica em até nove bairros da cidade.

Um dos pontos mais preocupantes é o distrito de Socorro, que pode ser um dos primeiros a ser atingidos. Ali, os moradores não tiveram tempo nem de recolher seus animais quando a sirene tocou na madrugada de 8 de fevereiro. Eles foram recolhidos pela Vale, dias depois, e levados a hoteizinhos, haras e fazendas bancados pela empresa. A maioria, entretanto, ainda não reencontrou os proprietários.

O topógrafo Francisco Xavier de Assis Filho, de 67 anos, não sabe o paradeiro do labrador El Diablo e da pastora alemã Laika. "O labrador era do meu neto, Artur, tenho um carinho danado por ele", afirma.

"Meu neto nasceu com hidrocefalia e passou por uma cirurgia de vida ou morte assim que nasceu", contou o topógrafo. "Ele era deficiente e ia fazer 20 anos, mas foi atropelado por um motoqueiro inabilitado, atravessando a faixa de pedestre. Isso faz um ano, quatro meses e 13 dias", diz Assis Filho. "O cachorro foi o último presente que ele me deu."

Morte

Criador de javaporco, Marcos Pereira, de 49 anos, relata que tinha 12 animais, mas três já morreram após terem sido recolhidos pela Vale para um sítio de Barão de Cocais. "Javaporco não pode ficar preso, tem de andar. Agora, eles só ficam trancados numa baia", afirma.

Em nota, a Vale diz que resgatou 3.407 animais da zona de autossalvamento, entre bovinos, equinos, galináceos, suínos e cães. "Do total, 573 animais já foram devolvidos para seus donos Até o momento, foram distribuídos mais de 259 mil quilos de ração e 5.610 vacinas, além de medicamentos aplicados."

Em áreas secundárias, a empresa diz ter resgatado outros 283 - e 15 foram devolvidos aos donos. "Para o recolhimento, o interessado deve acionar a empresa pelo telefone de atendimento 0800 031 0831", diz a nota. A Vale também oferta em seu site um book com fotos para identificação dos animais.

Colunas

Contraponto