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Alckmin vai relançar sistema que já custou R$ 30 milhões e não funciona

O programa, batizado de Detecta e importado de Nova York, foi anunciado em 2014 durante a campanha de reeleição do governador

Folhapress

Publicado em 30/06/2017 às 14:30

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O governo de São Paulo vai relançar seu principal sistema de segurança, depois de quase três anos de sua apresentação oficial e cerca de R$ 30 milhões envolvidos / Divulgação

O governo de São Paulo vai relançar seu principal sistema de segurança, depois de quase três anos de sua apresentação oficial e cerca de R$ 30 milhões envolvidos.

O programa, batizado de Detecta e importado de Nova York, foi anunciado em 2014 durante a campanha de reeleição do governador Geraldo Alckmin (PSDB) como a mais moderna ferramenta de combate ao crime no mundo, mas ainda não funciona como prometido.

"O que existe de mais avançado em segurança pública", anunciava a propaganda tucana que, na época, sofria críticas da oposição pela série de aumentos de roubo.

A principal inovação tecnológica era o conjunto de câmeras inteligentes (analíticas) capazes de identificar atitudes suspeitas e avisar a central da polícia para envio rápido de uma patrulha.

A peça publicitária mostrava que os aparelhos emitiriam um alerta à PM automaticamente quando um homem de capacete, por exemplo, entrasse numa loja.

Mesmo após investimentos de mais de R$ 30 milhões no programa, porém, nada disso funciona. E, segundo técnicos do próprio governo, está longe de ocorrer –eles afirmam ser algo tecnologicamente inviável.

Esses valores envolvem recursos pagos pela Prodesp (Companhia de Processamento de Dados de São Paulo) à Microsoft pelo sistema e também pela Secretaria da Segurança Pública à Prodesp, pela sua utilização.

Na última semana, a pasta demonstrou à Folha o funcionamento do Detecta. Todos os testes com vídeo analítico falharam. Alertas para carro suspeito indicando um veículo estacionado na marginal Tietê, por exemplo, se referiam apenas à sombra de um poste que cobria parte da via.

Procurada, a gestão Alckmin afirmou, em nota, que "todas as funcionalidades previstas no Detecta estão em funcionamento" (leia texto nesta página).

NOVA VERSÃO

A nova versão do Detecta deve entrar em operação no dia 31 de julho, segundo integrantes do governo. A versão comprada em 2014, por cerca de R$ 9,8 milhões, será abandonada por uma série de falhas de funcionamento.

Apenas alguns códigos foram aproveitados pela Prodesp, que criou o novo projeto. Ao contrário do anterior, que precisava de instalação no computador, ele funciona em plataforma on-line.

Integrantes do governo fazem um analogia. Criaram um novo carro, aproveitando o motor do carro antigo.

Uma auditoria feita por técnicos do Tribunal de Contas do Estado em 2015 e 2016, divulgada neste mês, apontou uma série de problemas no programa anterior. Um deles era seu funcionamento apenas em sistemas Microsoft, enquanto os computares da Polícia Civil utilizavam Linux.

"Diante de um investimento dessa magnitude, percebe-se que não houve uma preocupação em se testar a Solução antes da efetivação do contrato", diz o relatório.

O documento afirma ainda que a campanha de Alckmin anunciava uma ferramenta que sequer havia sido comprada. "O vídeo analítico, considerado de alta prioridade pelos usuários [policiais] do Detecta, [...] não estava funcionando. A Prodesp informou que o Detecta não possuía essa funcionalidade e seria objeto de nova contratação."

Agora, o governo paulista diz que, mesmo sem a compra, a Microsoft fez uma doação dessa funcionalidade. Técnicos ainda tentam encontrar soluções para fazê-lo funcionar como prometido.

Hoje, o Detecta serve mais como ferramenta de investigação, já que registra a passagem de veículos por câmeras com leitores de placa e cruza informações de diferentes bases de dados.

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