Sorveteria inova com sabores diferentes

Sorvetes da Aquarela conquistam moradores e turistas

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23 SET 2019Por Rafaella Martinez10h00
Ateliê à beira mar aposta em 270 receitas diferentes da iguariaFoto: NAIR BUENO/DIÁRIO DO LITORAL

Você já provou sorvete de manjericão, abóbora com coco ou queijo parmesão? Passando longe dos sabores tradicionais e dispostos a proporcionar uma experiência para cada morador ou turista que pisar no estabelecimento, pai, mãe, filho e nora tocam a Sorveteria e Restaurante Aquarela, em Bertioga. No Dia do Sorvete, o Diário foi conhecer a história do ateliê à beira mar que chama a atenção por apostar em 270 receitas diferentes da iguaria: de cerveja a amarula; de cajarana a pitaya, passando por doze variações diferentes de bom e velho chocolate.

A ideia nasceu há exatos 20 anos e a sorveteria abriu as portas no dia 3 de novembro de 1999. A família, tradicional de São Paulo, tinha uma casa na cidade e foi uma placa de 'Passo o Ponto' que culminou na doce história do empreendimento.

"Era uma lanchonete que vendia doces e lanches e tinha alguns sabores de sorvete. Naquela época a gente não sabia nem fazer uma bolinha", relembra aos risos Edson Ebling, o 'artesão' que comanda o 'ateliê' de sorvetes, nome carinhosamente dado para a cozinha onde é fabricada a sobremesa.

A ideia de transformar a antiga lanchonete em sorveteria veio com o objetivo de resgatar a tradição de juntar a família após o almoço de domingo para tomar sorvete self-service. Nesse contexto - e como alimentação também é um hábito cultural - preparar a iguaria deixa de ser um trabalho para se transformar em uma arte, essa que seu Edson domina bem!

"Fomos fazer um curso no SENAI e chamamos um consultor para ficar alguns dias conosco para pensarmos no que poderíamos ser diferentes. Partiu dele a ideia de sermos mais que uma sorveteria, mesmo que o custo de produção e revenda fique um pouco mais caro, pois o cliente iria se fidelizar", conta o filho, Felipe Ebling. Foi dessa forma que um ano após a inauguração, em dezembro de 2000, a Aquarela abriu as portas com 36 receitas autorais, tendo como carro-chefe os sorvetes alcoólicos e de sabores nostálgicos, como chiclete.

Abrigando há 4 anos também uma pizzaria que aposta em sabores e cortes diferenciados, além da decoração autêntica e 'instagramável', a Aquarela proporciona, de acordo com os donos, uma 'experiência' para os consumidores.

"A pessoa entra, pega um sorvete diferente, senta e tem como vista um cartão postal da cidade, que são as Ruínas da Ermida de Santo Antônio do Guaibê. Recebemos gente aqui de todas as cidades da Baixada, de São Paulo, Hortolândia e até mesmo de outros estados. Quem toma o sorvete de figo e canela, por exemplo, volta sempre, pois não encontra esses sabores com frequência", conta Edson.

O artesão relembra ainda que foram enumeras as ocasiões em que os doces despertaram a memória afetiva dos consumidores e afirma que está nessas passagens a sensação de sucesso da casa. "Uma vez eu fiz sorvete de uvaia e um senhor assim que deu a primeira colherada ficou com lágrimas nos olhos. Veio me contar que enquanto tomava o sorvete havia voltado aos seus doze anos, quando subia nas árvores do quintal da avó para comer a fruta direto do pé. Não há dinheiro que pague isso".

Com uma lista extensa de fornecedores - muitos deles estrangeiros, como é o caso dos chocolates finos e das cerejas - a pequena produção familiar começa a se preparar para o verão, período em que os dezenas de freezers instalados em dois dos sete contêineres ficam lotados de sorvete.

"Escolhemos guardar em caixas de aço por ser um opção ecológica, prática e que não pega umidade. E também faz um contraste com a madeira ecológica que eu e meu pai usamos para decorar o ambiente. Nesses 20 anos expandimos algumas vezes, sempre pensando no objetivo central: não oferecer apenas um sorvete diferente e sim uma experiência para qualquer pessoa que entrar aqui", finaliza Felipe.