Revisão do Plano Diretor é prioridade do presidente da Câmara de Bertioga

Em entrevista ao Diário do Litoral, Ney Lyra fala sobre a expectativa para o biênio 2017/2018 e sobre os desafios à frente do Legislativo

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30 JAN 2017Por Diário do Litoral11h30
Presidente da Câmara, Ney Lyra fala sobre os desafios à frente do LegislativoFoto: Matheus Tagé/DL

Em seu terceiro mandato na Câmara de Bertioga, o vereador Ney Lyra (PSDB) é, pela primeira vez, presidente do Legislativo.

O cargo, que exercerá no biênio 2017/2018 veio de uma forma não convencional. Parlamentar do partido do prefeito Caio Matheus, ele precisou ir buscar o apoio na oposição para se eleger. Isso porque, nas palavras de Lyra, o bloco da situação estava confuso.

Além de acalmar os ânimos de uma base que também queria a presidência e uma oposição fiscalizadora, o presidente da Câmara estipulou três metas para sua gestão: tratar do Plano Diretor, cuja última atualização é do final da década de 90, o novo Código Tributário e a regularização fundiária. 

Em entrevista ao Diário do Litoral, Ney Lyra fala sobre a expectativa para o biênio 2017/2018 na Câmara de Bertioga. Confira.

Diário do Litoral - Quais as prioridades da Mesa Diretora para o biênio 2017/2018?

Ney Lyra – Dois prefeitos que se reelegeram, Lairton Nunes Goulart e José Mauro Dedemo Orlandini, há 16 anos tentam revisar o Plano Diretor de Bertioga. Ele está defasado, desatualizado, ilegal e é o que está em vigor. O Plano terá que sair da estaca zero. A Administração anterior errou no Plano Diretor. Tem pontos interessantes, mas na moradia social eles esqueceram totalmente. Estou tentando consertar essa lacuna que ficou na cidade da regularização fundiária. Em cima disso, nós queremos, no pontapé inicial do governo, começar com a revisão do Plano Diretor. Vamos contratar uma empresa especializada nessa área, com notório saber, para dar assessoria ao Plano Diretor. Na mesma linguagem, o Código Tributário está totalmente ultrapassado, ilegal. E Bertioga tem uma característica absurda. Quem deve para a Prefeitura tem uma correção absurdamente maior por causa de um erro que vem desse código ultrapassado. O Orlandini mandou um projeto para a revisão do Código Tributário. Eu enviei ele ao Sepam (Secretaria Extraordinária de Projetos Especiais e Articulação Metropolitana). Eles analisaram e falaram que estava ultrapassado. O Sepam realizou uma proposta nova, atualizada e no final do mandato, em 2012, foi para votação. Eu tinha o apoio de todos os vereadores, mas na hora da votação só o atual prefeito votou a favor. Mas nós temos um prontinho aqui. A semente do vereador Ney Lyra lá atrás. Ele está pronto, só precisa atualizar os últimos quatro anos. A espinha dorsal está pronta. São essas três vertentes: Código Tributário, Plano Diretor e regularização fundiária.

DL - A Câmara de Bertioga já está estruturada para o início do trabalho legislativo? 

Lyra – Está. Todos os projetos que estavam em andamento já foram arquivados e vamos começar uma legislatura nova. A Câmara está totalmente preparada para o início das sessões na primeira terça-feira de fevereiro. Estamos ansiosos, mas preparados.

DL - Como foi a construção da candidatura à presidência? 

Lyra – Nós tínhamos cinco candidatos à presidente e quatro vereadores eleitores. Os outros candidatos à presidente se uniram para eleger um. Eu olhei os quatro eleitores e fui pedir voto para eles. Os quatro se reuniam para pedir voto para os outros, e precisavam de mais um voto para ter a presidência, mas após a reunião, cada um se colocava como o candidato principal. Isso deixou os eleitores inseguros. Na frente falavam uma coisa e por trás todos tinham um interesse pessoal. O Caio (Matheus) não interviu nessa Mesa. Tanto é que meu vice era oposição a ele. Eu me uni a oposição para sair vitorioso. Tive que me afastar do grupo dele (prefeito), que estava confuso. E a oposição não tinha nenhum candidato. Eu me apresentei, falei das propostas e fui eleito. O Caio tentou argumentar, falou da nossa base, ficou um pouco bronqueado comigo, mas eu ganhei a presidência assim. Estou no meu terceiro mandato. Não sou inexperiente. Eu vi que os caras estavam todos malucos, reuni o pessoal e acabei me elegendo presidente.

DL – A sua eleição foi inusitada por ser um vereador da base, mas ter buscado apoio da oposição para se eleger. Como o senhor espera que funcione o convívio entre base e oposição?

Lyra – O pessoal está preocupado em acertar. Eu era candidato a presidente, não a montar chapa. Quando fui montar o grupo, eu comecei a ter problema com a nossa própria base de apoio. Tentei unir todo mundo. Quando eu vi que não tinha união e que eu perderia, eu tive que tomar uma decisão. Falei com a oposição e perguntei se eles queriam ser só oposição ou ajudar a cidade. E eles responderam que queriam o melhor para a cidade. O que vier de bem, o que for para desenvolver a cidade, nós vamos votar sim. Eu senti confiança, que o pessoal quer acertar. Um grupo fechado até o final. Temos que unir o grupo. Eles podem andar magoados, mas o primeiro avanço foi eles terem assinado a chapa aos 45 minutos do segundo tempo. Eles sinalizaram que querem o melhor para Bertioga. Vou trabalhar com todos. E quem não quiser, não tenho medo e nem receio, irei para cima brigar pela cidade.

DL - Que ações deve se esperar da Câmara neste momento de crise? 

Lyra – Estou cortando a cota de gasolina dos vereadores. Vamos revisar todos os contratos para poder continuar o dia-a-dia da Câmara. Vamos adesivar todos os carros da Câmara. Temos que saber onde o vereador está fiscalizando, o carro é para uso público, oficial. Vamos tentar economizar em 40% a gasolina. Temos que abrir um concurso público. Nunca teve concurso aqui na Câmara. Temos que acertar os funcionários que se aposentaram. Tivemos motoristas e técnicos administrativos que se aposentaram, outros que já morreram. A Casa está com deficiência de funcionários. Quero abrir esse concurso e ajustar a Casa. É um prazo pra gente se acertar, embora a Câmara não tenha tido falta de dinheiro.

DL - Como o senhor espera que seja a relação com Executivo? 

Lyra – Não vou fazer oposição ao prefeito, só que vou fiscalizar. Quero o melhor para a cidade, e tenho certeza que ele também quer. Está preocupado com a cidade. Tendo ações difíceis de tomar. Nós queremos ter a nossa harmonia. Não vou instigar confusão aqui. Falei para minha base aliada, que é da oposição, e eles estão afinados com a presidência. O que é melhor para a cidade nós vamos votar. Não temos problema nenhum com o Executivo. Estamos aqui para ajudar, mas fiscalizando.

DL - O que a população de Bertioga deve esperar do senhor como presidente da Câmara?

Lyra – Queremos estar próximos da população. Eu fui recordista em audiência pública. Estou tendo a oportunidade de colocar em prática tudo que aprendi. Vou estar perto da população, ter audiências públicas. Reativar as sociedades de amigo de bairro, que já chegamos a ter quase cinquenta e poucas estão atualizadas. A população pode crer que este presidente estará ligado a comunidade.