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Reserva indígena e comunidade de Portugal firmam acordo cultural

O protocolo de cooperação entre as duas entidades homônimas de Brasil e Portugal foi avalizado pela Câmara Portuguesa

Carlos Ratton - de Portugal

Publicado em 18/06/2024 às 06:20

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A escritora Vanessa Guarani Ratton representou o cacique Adolfo Timotio (Adolfo Wera Mirim) e Casemiro Soares Simões a Associação São Lourenço e a Cooperativa Portuguesa Arte-Via / Carlos Ratton / Diário do Litoral

A reserva indígena Rio Silveira, que fica na divisa dos municípios de Bertioga e São Sebastião, no Litoral Paulista, e a Associação São Lourenço de Naturais e Amigos da Silveira de Cima, Silveira de Baixo, Salgueiro e Pé da Lomba (comunidades das Silveiras da Serra da Lousã, de Portugal) - celebraram acordo cultural, junto à capela do São Lourenço, no conselho da Lousã, distrito de Coimbra.

A escritora Vanessa Guarani Ratton representou o cacique Adolfo Timotio (Adolfo Wera Mirim) e Casemiro Soares Simões a Associação São Lourenço e a Cooperativa Portuguesa Arte-Via.

O protocolo de cooperação entre as duas entidades homônimas de Brasil e Portugal foi avalizado pela Câmara Portuguesa, uma associação civil sem fins lucrativos, fundada em 23 de novembro de 1912, tendo como objetivo principal - desde a sua criação - a promoção das relações bilaterais entre Brasil e Portugal.

Antes da assinatura, houve música, dança e poesia pelas Filhas da Terra (Eva Potiguara, Ju Cassou e Vanessa Ratton) que protagonizam um espetáculo único baseado no álbum biográfico "Guerreiras da Ancestralidade", da autoria do coletivo Mulherio das Letras Indígenas que, em 2023, foi o vencedor do Prémio Jabuti, na categoria Fomento à Literatura.

O espetáculo está integrado no programa da sétima edição do FLII - Palavras de Fogo. Depois foi celebrada uma misso em frente à capela do São Lourenço. A Aldeia Rio Silveira foi tema de reportagem do Diário de Um Repórter, intitulada Ano Novo Guarani, que se encontra no site e nas mídias digitais do Diário do Litoral pelo endereço digital.

"Procuramos estreitar os laços fraternais entre comunidades das duas margens do Atlântico, com diferentes culturas ancestrais, mas que falam a mesma língua", justificam dirigentes da Cooperativa da Lousã, que é promotora do Festival Literário Internacional do Interior (FLII) - Palavras de Fogo, que acontece em paralelo ao evento.

A aproximação que passará por um trabalho cooperativo em diferentes áreas culturais, designadamente das artes e literatura. Os dirigentes recordam que há cerca de 100 anos, os habitantes da Silveira de Cima e da Silveira de Baixo, bem como dos vizinhos Salgueiro e Pé da Lomba, emigraram para os Estados Unidos e para o Brasil por melhores condições de vida.

Muitos foram para a Baixada Santista, onde reside a maior comunidade de antigos moradores da Serra da Lousã. O processo dramático culminou na perda total da população daqueles e de outros lugares agropastoris da Serra da Lousã, em finais de 1960.

ALDEIA.

Cerca de 800 moradores, entre eles 350 crianças e 15 idosos, a Aldeia Rio Silveira, em Boracéia, é acessada pela Avenida Guarani, em Boracéia (Bertioga). Ela possui um roteiro agendado e por intermédio de um guia indígena.

Os visitantes, além de uma atividade cultural completamente diferente, têm a oportunidade de ajudar a comunidade indígena de famílias nativas de etnia Guarani- Mbya e Nhandeva. A escola paulistana Teia Multicultural leva seus estudantes constantemente à aldeia, numa programação única e bastante produtiva.

Os visitantes e estudantes também conhecem a biodiversidade da reserva, a cultura e alimentação típica. A comunidade vive dentro das suas ocas ou casas, feitas com madeira de "palmeira-pati" e algumas de alvenaria.

Percorrem uma trilha de dois quilômetros e conhece um dos rios da bacia do Rio Silveira, um dos locais de natureza mais preservados de São Sebastião, que íntegra a exuberante Mata Atlântica.

Um dos biólogos que acompanha os visitantes oferece um conteúdo riquíssimo em histórias e curiosidades acerca da reserva indígena e seus habitantes.

O local está inserido em um trecho preservado da Mata Atlâtica, com formações vegetais riquíssimas, classificadas como Floresta de Restinga e Floresta Ombrófila Densa.

Na volta, é possível experimentar a alimentação indígena, depois ocorre uma apresentação cultural, com música e dança feito pelas crianças e jovens.

Em seguida, são realizadas pinturas de grafismos e é possível conhecer um pouco sobre a história desse povo. No final do passeio, você pode comprar palmito e artesanato indígena.

DEMARCAÇÃO.

Conforme já publicado, em 1987, a aldeia foi demarcada por decreto. Atualmente existe um processo de expansão de suas terras, à pedido da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), dos atuais 944 hectares para 8,5 mil, que permanece paralisado desde 2010.

Em 2005, a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo (CDHU) construiu as casas de alvenaria, porém o abastecimento de água fica restrito ás casas próximas da estrada.

Em 2013, uma parceria firmada por FUNAI, CDHU e Prefeitura de Bertioga chegou a prever um investimento total de nove milhões de reais na construção de moradias com água encanada, luz elétrica e rede de esgoto na aldeia.

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