Esgoto a céu aberto preocupa moradores de bairro em Bertioga

Munícipes do Jardim São Lourenço esperam por serviço há mais de 20 anos; Sabesp diz que lote é particular.

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08 JUL 2019Por Jeferson Marques06h03
Em uma das esquinas do bairro há uma vala à céu aberto.Foto: NAIR BUENO/DIÁRIO DO LITORAL

Apenas 30% do esgoto do bairro Jardim São Lourenço, em Bertioga, tem coleta e tratamento, afirma a Associação de Moradores do Jardim São Lourenço e Itaguaré. O dado foi confirmado pela prefeitura. Ao passar pelo local é possível ver fossas cobertas por tampas de concreto ou canos de plástico, estrutura precária das quais dezenas de casas ainda dependem. De acordo com os moradores, eles aguardam pela melhoria do serviço há mais de 20 anos.

Duarte Carmo Almeida, de 71 anos, tem uma casa no bairro e quase sempre desce a Serra para passar os finais de semana. Ele acredita que não há interesse das autoridades em resolver a questão.

"Isso aqui está assim há mais de 20 anos. Se você olhar pelo cano na minha calçada, vai ver que está todo entupido. Questionamos a Prefeitura, mas ela diz que a responsabilidade da ligação do esgoto é da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). E a Sabesp diz que ainda faltam etapas a serem concluídas pela Prefeitura antes de ligarem a rede de esgoto. Parece um jogo de empurra", comenta Almeida.

Na esquina da Avenida da Orla com a Rua Nicolau Antunes Pinto, há uma vala à céu aberto que exala forte odor e oferece risco, principalmente, aos motoristas.

A Reportagem conversou com Daniela, de 73 anos, proprietária de uma casa que fica ao lado da vala. Ela relatou que o bairro cresceu muito, algumas obras foram feitas, mas que na esquina da sua residência, os trabalhos não prosseguiram.

"Essa vala é um pesadelo. O esgoto corre a rua e termina bem na minha casa. Quando chove muito essa água transborda e chega até a garagem. Quando comprei o terreno, ela ainda não existia. Depois de muitos anos fizeram uma obra de escoamento na rua, só que ela nunca teve sequência", lembra.

Ainda segundo Daniela, outro problema que piora a situação é a quantidade de lixo que os próprios moradores jogam ali. "Às vezes são garrafas de cerveja, energético ou sacos de lixo. Essa vala está entupida e todo esse odor é sentido dentro da minha casa. Penso em sair dali, em vender a casa, mas ao mesmo tempo sei que o valor dela já está depreciado por conta dessa fossa gigante", finaliza.

OUTRO LADO

A Prefeitura de Bertioga confirmou que apenas 30% do bairro Jardim São Lourenço conta com o serviço de tratamento e coleta de esgoto. Explicou também que nunca existiu um contrato entre ela (Prefeitura) e a Sabesp e que, por esse motivo, busca a contratualização dessa demanda.

Ainda segundo a Administração, há um trabalho sendo feito para a liberação de recursos para obras de drenagem junto ao Comitê de Bacias Hidrográficas da Baixada Santista.

Se essa verba do Governo do Estado for liberada, o projeto beneficiará centenas de famílias no bairro.

SABESP

A Sabesp esclarece que parte do bairro Jardim São Lourenço, em Bertioga, já possui rede coletora de esgoto. A área não contemplada, por se tratar de um loteamento particular, deve atender a Lei Federal 6.766 de 1979, que determina ao loteador a responsabilidade de implantar infraestrutura básica (como os sistemas de saneamento) sobre o parcelamento do solo para fins urbanos.

Quanto à vala citada na Avenida da Orla, técnicos realizaram vistoria e confirmaram que a companhia não executa nenhuma obra ou serviço no local. Ressaltou também que independente das tratativas entre a companhia Sabesp e a administração municipal para enquadramento à Lei Federal 11.445 de 2007 (que estabelece diretrizes nacionais para o saneamento básico e para a política federal de saneamento básico), foram mantidos os investimentos contínuos nos sistemas de abastecimento de água e esgotamento sanitário.

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