Tragédias anunciadas

As ocupações irregulares e o crescimento habitacional desordenado proporcionam tragédias como esta de São Sebastião

Thaís Margarido

Thaís Margarido | Divulgação

O episódio fatídico de São Sebastião que deixou 65 pessoas mortas, entre elas crianças e adultos, é mais um daqueles incidentes previstos que nos deixam uma grande lição: é preciso antes de se apontar um culpado, buscar explicações reais para tal acontecimento. Independentemente da força da natureza, a raiz do problema já estava lá. Raízes entranhadas na terra que parecem invisíveis aos olhos de quem as planta, assim bem como de quem as rega.

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As avalanches de terra desprendidas dos morros que cercam o litoral norte foram arrastando tudo que encontravam pela frente. Moradias em áreas de risco foram as primeiras a serem afetadas. Em seguida, ruas e bairros inteiros ficaram soterrados.

O volume de chuva além do previsto aliado à alta da maré fez com que famílias ribeirinhas ficassem desalojadas e desabrigadas. Tudo muito triste. Ver o que foi conquistado com anos de trabalho ir literalmente por água abaixo. Mas o que nos consola é que para todo problema há uma solução, na verdade, prevenção. E neste caso não será diferente se os poderes municipais, estaduais e federais se unirem.

As ocupações irregulares e o crescimento habitacional desordenado proporcionam tragédias como esta. Em 2020 foi a vez do Guarujá. Cerca de 40 pessoas morreram soterradas.

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Para acabar com o problema de vez, além dos projetos habitacionais, também é preciso fazer a contenção e o monitoramento das áreas invadidas após a remoção dos moradores.

Planejamento e gestão habitacional. Mas principalmente, alertar, orientar a população dos riscos e perigos de invadir áreas de preservação ambiental. Nós temos infelizmente o costume de cobrar nossos direitos, mas esquecemos dos nossos deveres como cidadãos do bem. Trabalhar para pagar nossos impostos, faz parte no país em que vivemos. O que precisamos é de mais geração de emprego, qualificação profissional, conscientização e oportunidade para transformar o futuro!

Sendo assim, é possível evitá-las.

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*Thaís Margarido é jornalista e gestora pública.