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É preciso que a execução seja prioridade. Infraestrutura não pode ser tratada como pauta secundária em anos eleitorais ou ofuscada por agendas de curto prazo.
Caio da Marimex / Divulgação
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Em um ano com diversos eventos mundiais e nacionais - e até o grande número de feriados em dias úteis, o Brasil se prepara para uma agenda intensa, que movimenta a economia, a política e a atenção pública. Teremos Copa do Mundo na América do Norte, teremos eleições pelo Brasil, teremos debates acalorados sobre o futuro do País. Mas, diante de tudo isso, cabe uma pergunta essencial: teremos também um olhar efetivo para a infraestrutura?
O calendário é favorável à visibilidade, as cidades estão no centro das atenções, seja pela movimentação política, seja pela circulação do turismo nos dias de descanso para muitos brasileiros. No entanto, a discussão se concentra no imediato, no impacto político ou econômico de curto prazo, enquanto questões fundamentais - como logística, mobilidade e planejamento urbano, seguem avançando em ritmo lento.
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No caso da Baixada Santista, essa reflexão se torna ainda mais urgente. O Porto de Santos cresce, amplia sua relevância e reforça seu papel estratégico para o país, tema, inclusive, abordado aqui nessa coluna. Ao mesmo tempo, a região convive com desafios conhecidos há décadas: acessos viários pressionados, mobilidade urbana comprometida e uma infraestrutura que não acompanha o ritmo de expansão do sistema portuário.
É verdade que projetos importantes estão no radar. O túnel Santos–Guarujá, as melhorias na região da Alemoa, investimentos ferroviários e a ampliação da poligonal do porto são iniciativas relevantes e necessárias. Mas também é verdade que, na prática, ainda não sentimos mudanças proporcionais à urgência do problema. O cronograma das obras avança em etapas lentas, enquanto o fluxo logístico e urbano segue crescendo todos os dias.
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É preciso que a execução seja prioridade. Infraestrutura não pode ser tratada como pauta secundária em anos eleitorais ou ofuscada por agendas de curto prazo. Pelo contrário, é justamente nesses momentos que o tema deveria ganhar centralidade. Afinal, é a infraestrutura que sustenta o crescimento econômico, reduz custos, melhora a competitividade e impacta diretamente a qualidade de vida da população. Os postulantes aos cargos em jogo para 2027/2030 estão atentos a isso?
Se queremos discutir o futuro do Brasil, precisamos discutir como ele se move. Portos, rodovias, ferrovias e cidades não podem esperar o próximo ciclo político para avançar. O desafio está colocado: transformar intenção em ação, promessa em entrega e planejamento em resultado concreto. Porque, no fim das contas, o país precisa, sobretudo, de infraestrutura funcionando.