A operação policial ocorrida na favela do Jacarezinho, no Rio de Janeiro, na última quinta-feira (6/5), não surpreendeu os bandidos. O advogado de um dos criminosos teve acesso aos autos e ficou sabendo do pedido de prisão preventiva emitido contra ele, após quebra de sigilo dos processos. Sem sabermos a mando de quem, autos processuais tão importantes ficaram públicos, acessíveis. A verdade é que mesmo sem saber a data exata do cumprimento dos mandados de prisão, os traficantes puderam se antecipar e se preparar tanto para fuga quanto para o confronto contra os policiais.
Após a operação, um documento com o timbre do Ministério Público do Rio de Janeiro foi encontrado em uma casa que as investigações apontavam como o principal esconderijo para chefes do tráfico de drogas que atuam na comunidade. De início entendeu-se que as informações da operação haviam vazado, mas o MP-RJ explicou em nota oficial que a Promotoria recebeu o pedido de prisão, decretada no dia 28 de abril, mesma data em que o sigilo foi quebrado e as peças processuais ficaram públicas.
Uma operação de tamanha importância perdeu o seu elemento surpresa e entrar em um local dominado por uma facção criminosa aparelhada para o confronto exigiu todo o preparo e empenho dos agentes da Coordenadoria de Recursos Especiais (CORE).
A ação na comunidade durou cerca de 9 horas e os policiais altamente treinados resistiram bravamente à investida dos traficantes armados e posicionados em pontos estratégicos, mesmo estando em situação desfavorável e sendo recebidos por intenso ataque dos bandidos. Ao final, foram apreendidas pela polícia 16 pistolas, cinco fuzis, uma submetralhadora, 12 granadas, duas escopetas calibre 12 e munições.
No país que mais mata policiais no mundo, perdemos, nessa ação, mais um guerreiro. O policial civil André Frias foi morto em combate, logo no início da operação, deixando desamparada a mãe, que dependia de seus cuidados. Esse herói será sempre lembrado por sua coragem e por cumprir a missão que assumiu de proteger a sociedade e os cidadãos de bem. Deixo aqui minhas homenagens e meus sentimentos a amigos e familiares e que Deus possa confortar a todos.
Os agentes do CORE realizaram um excelente trabalho, mas sabemos que os bandidos estão cada vez mais preparados e armados para uma guerra civil. É preciso treinar, equipar e valorizar os nossos policiais para que não nos tornemos reféns da criminalidade e para que não percamos mais cidadãos de bem durante esse combate.
