Tenente Coimbra - Por que os artistas ainda estão sendo prejudicados pela pandemia?

Milhares de trabalhadores perderam seus empregos e não têm como sustentar suas famílias

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09 SET 2020Por Da Reportagem06h30
Foto: DIVULGAÇÃO

O Brasil vive a sua mais grave crise econômica das últimas décadas. Milhares de brasileiros perderam o emprego ou a capacidade de trabalhar por causa do novo coronavírus. À medida que a pandemia começou a mostrar sinais de que está arrefecendo, cidades e estados retomaram as atividades econômicas. Comércios reabriram, parques e praias foram parcialmente liberados e até mesmo bares e restaurantes voltaram a funcionar, com horários restritos.

O setor de artes e eventos, no entanto, segue impedido de funcionar. Milhares de trabalhadores perderam seus empregos e não têm como sustentar suas famílias. Impedidos de trabalhar desde março, os artistas estão sofrendo de forma ainda mais prolongada os efeitos da pandemia. 

Não faz sentido algum manter essa proibição quando temos praias e shoppings lotados. O argumento de evitar a aglomeração não cabe para justificar a proibição dos eventos e de outros setores. Por que, então, não colocar fim a essa proibição, ajudar os artistas a retomarem suas funções, sustentar suas famílias e, com isso, ainda movimentar a economia?

Também não faz sentido manter restrições de horário no funcionamento de bares e restaurantes. Ampliando o horário, há menos chances de haver aglomerações. E o setor precisa tentar recuperar o incalculável prejuízo provocado pela quarentena e, mais uma vez, movimentar ainda mais a economia, gerando empregos.

Diante desse cenário, não vejo motivos para que não se crie um protocolo de retomada de teatro, apresentações, shows e outros tipos de eventos. Há várias ferramentas para que isso ocorra de forma segura: estabelecer um limite de público; impor o distanciamento seguro por meio de mesas; fazer a assepsia completa dos espaços; checagem de temperatura para permitir a participação das pessoas, entre tantos outros cuidados que estabelecimentos estão tomando. Há uma série de critérios que podem ser adotados para a reabertura com segurança.

As curvas já começaram um movimento de queda e reportagem da Folha de S.Paulo de domingo passado mostrou que há consenso entre especialistas sobre o fato de uma segunda onda de infecções estar praticamente descartada no Brasil e o infectologista e professor da USP, Esper Kallás, afirma que dificilmente haverá aumento de casos.

Por que o Estado não compreende que o cenário é diferente e começa ele próprio a experimentar outras possibilidades que poderiam ser mais seguras para todos? Não adianta ficar esperneando porque a população resolveu retomar a vida. É um caminho sem volta. O esperado é que governos se adaptem à realidade e coloquem fim à hipocrisia.

Se espera que o Estado interfira diretamente neste cenário para que essa realidade não traga mais uma ameaça à saúde de todos. E isso só vai acontecer quando o poder público parar de agir feito avestruz, enfiando a cabeça num buraco e fingindo que nada está acontecendo.

Tenente Coimbra, deputado estadual