Tenente Coimbra - IML de Santos é o retrato do descaso do governo com serviços públicos

É uma falta de sensibilidade e um desrespeito para com as famílias, que são obrigadas a esperar muito mais para conseguir sepultar um parente

Comentar
Compartilhar
23 SET 2020Por Artigo06h50
Foto: DIVULGAÇÃO

Já faz seis meses desde que o Instituto Médico Legal (IML) de Santos fechou as portas e o Governo do Estado não demonstrou nenhum interesse em reabri-lo. O colapso no equipamento já havia sido denunciado pelo nosso mandato no início do ano, mas em junho enviamos um requerimento ao governo cobrando informações e a reativação e não recebemos resposta. Enquanto isso, a população santista precisa ir até a Praia Grande quando precisa do serviço.

É uma falta de sensibilidade e um desrespeito para com as famílias, que são obrigadas a esperar muito mais para conseguir sepultar um parente, já que os corpos que precisam passar por autopsia têm que ir para outra cidade. 

Sem funcionar desde março por causa das fortes chuvas que atingiram a Baixada, o prédio do IML sofre com graves problemas estruturais, não recebe manutenção há muito tempo, está com seus equipamentos deteriorados e possui defasagem no quadro de servidores, problema que atinge todos os municípios do estado. 

Sindicatos policiais apontaram, em 31 de agosto de 2020, que faltam 290 médicos legistas e 59 auxiliares de necrópsia por todo o Estado de São Paulo. E a tendência é que a situação piore, pois mais profissionais certamente sairão da corporação e a reposição não será feita - há quase 10 anos não é aberto concurso para a área.

O colapso do IML de Santos sobrecarrega a unidade de Praia Grande, que também sofre com falta de profissionais. O resultado são atrasos nos exames de corpo de delito, nos laudos necroscópicos e na resolução de crimes. São muitos os prejuízos à sociedade, à segurança pública e à justiça.

Se desdobrando como podem, servidores sofrem intensa pressão e sequer recebem uma remuneração digna, como foi prometido pelo governador João Doria. Os agentes de segurança do estado, na verdade, estão cada vez mais desvalorizados e desmotivados.

O Governo tinha planos de mudar o IML para o bairro do Estuário e o proprietário do imóvel já realizava reformas e adequações no local mesmo sem contrato prévio com o Estado. Porém, com a resistência dos moradores e com a própria Zona de Loteamento Municipal não permitindo que um IML fosse instalado lá, as discussões foram paralisadas.

Já entramos com uma representação no Ministério Público e esperamos que o Governo preste contas à população de Santos. É preciso um pouco mais de respeito com os cidadãos, uma solução para os problemas do IML e o retorno, o mais breve, do serviço.

Tenente Coimbra, deputado estadual