Tenente Coimbra – Baixada Santista sofre os prejuízos do ‘superferiado’

Decisões unilaterais não nos ajudarão a vencer essa batalha que não é apenas sanitária, mas também humanitária

A partir desta sexta-feira (26/3), haverá na Capital um “superferiado” de 10 dias até o domingo de Páscoa (4/4). A decisão foi tomada pelo prefeito Bruno Covas (PSDB), sob a justificativa de conter a propagação do coronavírus. Foram cinco datas antecipadas: Corpus Christi (60 dias após a Páscoa); o Dia da Consciência Negra (20 de novembro, de 2021 e 2022); e o aniversário da São Paulo (25 de janeiro de 2022).

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Não bastasse a medida ter sido tomada em uma decisão unilateral, já foi comprovado ainda no ano passado que a antecipação de feriados praticamente não altera os índices de isolamento social. Sem efetividade, o que pode acontecer é exatamente o contrário: aumentarmos as aglomerações porque muitas pessoas estarão “de folga”.

Ao não consultar outros prefeitos e o próprio governador João Doria, Covas ainda prejudicou o planejamento de contenção ao vírus de diversas outras cidades, entre elas, as da Baixada Santista, que acabarão recebendo milhares de turistas nesse período e, daqui a algumas semanas, poderão sofrer os prejuízos com o aumento de contaminações e maior taxa de ocupação dos leitos de UTI para a covid-19. Pensando nisso, os nove municípios da região decretaram lockdown desde esta terça-feira (23/3) para tentar diminuir a movimentação nas ruas.

A atitude do prefeito de São Paulo, além de não ter sido bem planejada e debatida e criar problemas para outras prefeituras, soa ainda irônica se lembrarmos que a mesma justificativa (de contenção ao coronavírus) foi usada para cancelar o Carnaval deste ano. Ele mesmo não demonstra coerência ao decidir se feriados, afinal, são bons ou ruins neste combate ao coronavírus.

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Para além da confusão criada por essa medida, mais uma vez os estabelecimentos serão fechados e o resultado é previsível: mais pessoas desempregadas e passando por dificuldades. Os empreendedores sofrem com consequentes limitações desde o início da pandemia e, novamente, recebem um duro golpe. Terão de abaixar as portas e, consequentemente, não conseguirão receita para arcar com as despesas e os salários de seus funcionários.

Em um momento como o que vivemos, é de extrema importância o trabalho conjunto e o amplo debate em busca de soluções eficazes. Decisões unilaterais não nos ajudarão a vencer essa batalha que não é apenas sanitária, mas também humanitária. Bruno Covas não conversou sequer com os políticos que pertencem ao seu partido. Gerir a maior cidade do país exige medidas muito bem pensadas e estudadas, pois os reflexos atingem a toda população do Estado.

Tenente Coimbra, deputado estadual