Tenente Coimbra - A quarentena para concorrer em eleições

Fica cada vez mais claro que essa medida visa apenas dificultar a entrada dos militares na política

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06 OUT 2021Por Tenente Coimbra06h40
Tenente Coimbra, deputado estadualTenente Coimbra, deputado estadualFoto: DIVULGAÇÃO

A exigência de que magistrados ou membros do Ministério Público, guardas municipais, policiais militares, federais, rodoviários federais, civis e integrantes das Forças Armadas cumpram um período de quarentena para que possam concorrer em eleições tem gerado controvérsias.

A proposta é de que esses profissionais se afastem dos cargos quatro anos antes das eleições para ter o direito de disputar cargos eletivos. O texto ainda precisa do aval do Senado para entrar em vigor. 

Caso o projeto seja aprovado sem alterações nos plenários da Câmara e do Senado e sancionado pelo presidente Jair Bolsonaro até outubro deste ano, o caminho para as eleições de 2022 estará fechado para militares, policiais, juízes e promotores. 

Os deputados que votaram a favor da quarentena destacaram que esse período de afastamento é necessário para evitar que a política interfira no trabalho de cada um dos profissionais atingidos pela medida. Mas então entendemos que somente os profissionais citados teriam interferência em seus trabalhos e os demais, não?! Entendo que a quarentena só seria justa se atingisse todos os servidores públicos. Mas ainda assim seria uma decisão muito ruim para a democracia, tolher o direito dos cidadãos a se candidatar em condições iguais aos demais servidores públicos.

Como dar um tratamento diferenciado para determinada categoria? Exigir que a pessoa saia do seu cargo por quatro anos, fique sem emprego, sem renda, para poder se candidatar. 
 
O presidente Jair Bolsonaro afirmou hoje que vai vetar a quarentena eleitoral para juízes e policiais militares, caso ela seja aprovada pelo Congresso.
"Um absurdo, espero que o Senado não aprove isso daí. Se o cara sai da cadeia, pode ser candidato à Presidência da República, e você, militar da ativa, não pode ser candidato a vereador. Se passar no Senado, e acho que não passa, obviamente, a gente veta", disse ele durante a live semanal.

Fica cada vez mais claro que essa medida visa apenas dificultar a entrada dos militares na política, mas a grande questão é o porquê estamos incomodando tanto? 

Os políticos de carreira vêm perdendo credibilidade diante dos eleitores, isso aconteceu em função da derrocada da classe política, da perda de força dos sindicatos e do crescimento de militares entrando nos pleitos. Neste momento, eles temem a concorrência!

* Tenente Coimbra, deputado estadual