NR-1: Saúde mental, liderança, ODS e ESG: Instituições eficazes começam por pessoas

Crescimento alarmante nos índices de esgotamento profissional acende um alerta vermelho para os departamentos de gestão de pessoas

A imagem consiste em um amplo painel conceitual ilustrado, projetado em uma parede interna iluminada por spots de luz superiores. A composição artística é dividida em duas grandes atmosferas pelo tronco de uma árvore central, retratando a transição de um ambiente de trabalho psicossocialmente tóxico para um cenário corporativo saudável, engajado e focado no bem-estar. Lado Esquerdo — O Ambiente Tóxico (Adoecimento) Expressões de Sofrimento: Sob um fundo cinza-escuro e sombrio, várias figuras humanas demonstram exaustão e desespero. No canto superior esquerdo, um homem aparece encolhido com as mãos na cabeça, abaixo de uma nuvem emaranhada de linhas pretas que simboliza a ansiedade. Na parte inferior, outro trabalhador de camisa social e gravata está sentado no chão, de cabeça baixa e expressão desolada. Metáforas Visuais: Correntes partindo-se, raios estilizados e silhuetas escuras apontando o dedo (representando liderança abusiva ou pressão por metas) compõem a cena. Uma pilha de cubos cinzas simboliza uma sobrecarga burocrática ou acúmulo de tarefas, enquanto ícones de alto-falantes riscados remetem à falta de escuta e ao silenciamento dos colaboradores. O Centro — A Transição e o Acolhimento A Árvore da Cultura: Uma grande árvore com raízes profundas e uma copa verdejante e frondosa divide o mural. Suas raízes estão cravadas em uma terra marrom onde há ícones ilustrativos: um ouvido (escuta ativa), mãos acolhendo um coração (empatia/reconhecimento) e uma caixa segura com um cadeado (canais seguros de denúncia). O Grupo de Apoio: Próximo ao tronco, um grupo diversificado de homens e mulheres de diferentes idades e etnias olha em direção ao lado iluminado, expressando transição, união e pertencimento. Lado Direito — O Ambiente Saudável (Fortalecimento) Liderança Positiva e Engajamento: Sob um fundo luminoso em tons de amarelo, azul-claro e verde, um líder em destaque — vestindo camisa social e gravata — aparece envolto por uma aura brilhante e aponta o caminho para a equipe. Ele guia um grupo de colaboradores que caminha sorridente e motivado sobre uma rampa ascendente. Engrenagens douradas e escudos azuis flutuam ao redor, simbolizando suporte, processos fluidos e segurança psicológica. Resultados e Metas Globais: No canto superior direito, gráficos de crescimento com setas para cima, engrenagens e uma silhueta celebrando no topo de um edifício representam o sucesso sustentável. Logo abaixo, destaca-se um círculo cromático dividido em segmentos coloridos, idêntico ao logotipo dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU. Quadro Informativo: Na base inferior direita, há um pequeno quadro branco destacado com um gráfico de barras coloridas ascendentes e uma seta verde apontando para o topo, ilustrando de forma resumida o crescimento dos índices de bem-estar.

A nova exigência legal obriga o mapeamento de riscos invisíveis e impõe uma reformulação profunda na cultura organizacional do país (Google Gemini/Imagem Gerada por IA)

Por Fábio Tatsubô

A partir de um convite do Paulo Queija para um workshop sobre a NR-1 (Norma Regulamentadora nº 1) que entra em vigor final deste mês: Empresas adoecem quando pessoas trabalham sem reconhecimento, quando o medo fala mais alto que a motivação e quando ninguém se sente ouvido. Um mural dentro da organização não é apenas uma parede: é um reflexo da cultura, do que a empresa valoriza e do que permite crescer dentro das pessoas. Palavras certas levantam equipes, reconhecimento gera pertencimento e pertencimento gera resultados. Afinal, uma empresa forte não é feita apenas de metas, mas de pessoas emocionalmente fortalecidas. E se você lidera pessoas, nunca esqueça: o ambiente que você cria determina o desempenho que você recebe.

Essa reflexão ganha ainda mais relevância diante da atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que em 2026 passou a incluir explicitamente os riscos psicossociais como parte da saúde ocupacional no Brasil. A mudança reconhece que saúde mental também é saúde no trabalho e que fatores como sobrecarga, pressão abusiva por metas, assédio moral e sexual, falta de reconhecimento e ambientes tóxicos são riscos reais e precisam ser gerenciados. Os números oficiais mostram a gravidade da crise: os afastamentos por transtornos mentais e comportamentais mais que dobraram em apenas três anos, passando de 201 mil em 2022 para mais de 472 mil em 2025.

Os casos de burnout cresceram mais de 800% no período, e apenas os episódios depressivos somaram quase 183 mil afastamentos em um único ano. A maioria dos afastamentos por ansiedade e depressão ocorre entre mulheres, com idade média de 41 anos.

Nesse cenário, a liderança exerce papel decisivo. Pesquisas globais, como as da consultoria Gallup, indicam que o chefe direto responde por até 70% da variação no engajamento e no clima emocional de um time. Isso significa que líderes preparados e conscientes são fundamentais para prevenir o adoecimento e fortalecer equipes. A NR-1 exige que empresas incluam os riscos psicossociais no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), avaliem continuamente o clima organizacional, capacitem líderes para lidar com saúde mental, criem canais seguros de escuta e denúncia e monitorem os impactos das condições de trabalho na saúde dos empregados.

Além disso, conecta o mundo corporativo às metas globais da Agenda 2030 da ONU, contribuindo para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável relacionados à saúde, trabalho decente, redução das desigualdades e fortalecimento institucional. Considerando que as metas são globais, mas as ações são locais, o indivíduo é o início de tudo, seja na decisão da alta liderança, seja os da base da pirâmide.

Mais do que uma norma técnica, a NR-1 é um marco histórico. Ela reconhece que criar ambientes saudáveis e dar reconhecimento às pessoas deixou de ser apenas uma boa prática, tornou-se uma exigência legal e estratégica. Empresas fortes não se sustentam apenas em metas, mas em pessoas emocionalmente fortalecidas. E nesse cenário, líderes conscientes são a chave para um futuro mais humano e sustentável.

Uma boa liderança inspira confiança, gera engajamento e fortalece vínculos. Já a liderança tóxica ou ausente… piora tudo que muitas vezes o que já é desafiador, e desagrega tudo.

Assim, a NR-1 e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável reforçam que saúde mental é parte da saúde ocupacional e que empresas precisam investir em líderes preparados. Prosperidade não nasce apenas de metas, mas de pessoas emocionalmente fortalecidas, e é a qualidade da liderança que define se o futuro será de engajamento e crescimento ou de perdas e afastamentos.

* Fábio Tatsubô – Coordenador Regional BS do Movimento Nacional ODS SP