Nilton Cesar Tristão - Sucessão ao Governo do Estado em 2022

Numerosas vezes a política brasileira aparenta seguir os princípios do 'eterno retorno'

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05 JUL 2021Por Artigo14h31
Nilton César Tristão, cientista políticoNilton César Tristão, cientista políticoFoto: DIVULGAÇÃO

Numerosas vezes a política brasileira aparenta seguir os princípios do “eterno retorno”, “um padrão cíclico de certas recorrências, como em eras na roda do tempo”. Nesse momento, refiro-me ao Governador João Doria que adotou agenda idêntica à do Senador José Serra, quando este abdicou do comando da cidade de São Paulo para concorrer à chefia do executivo estadual e posteriormente desistiu da reeleição buscando conquistar a Presidência da República. Contudo, diferentemente de Serra, JD conseguirá emplacar o seu aspirante à sucessão paulista, que por todas as evidências será o atual vice-governador Rodrigo Garcia.
 
Portanto, tentaremos analisar as tendências que envolverão o pleito à luz do levantamento de opinião pública realizado pela empresa Opinião Pesquisa e GovNet em parceria com a Gazeta de São Paulo e Diário do Litoral, entre os dias 21 a 26 de junho de 2021, com a finalidade de colher elementos que indiquem a existência de uma possível fadiga popular decorrida por oito mandatos consecutivos do PSDB à frente do Governo do Estado de São Paulo. Nesse sentido, realizamos  aferições transversais que nos proporcionaram os seguintes indicativos: 14% gostariam que o grupo de João Doria continuasse governando São Paulo; 14% aspiram o retorno de Geraldo Alckmin ao comando do Estado; 66% preferem que alguém fora desse eixo comece a administrar São Paulo e 6% não souberam responder. 
 
O entrevistado igualmente submeteu-se à seguinte indagação: “Na eleição de 2022 a Governador do Estado de São Paulo, você pretende votar pela continuidade da atual gestão ou por sua mudança?”, sendo que os resultados coletados evidenciaram que 82% preferem a mudança; 14% escolheram a continuidade e 4% são indiferentes ao assunto. Para completarmos esse bloco, dimensionamos o peso de João Doria a um proponente destinado ao seu sucedimento, obtendo os subsequentes índices: 13% votariam com certeza no postulante apoiado pelo presente Governador; 45% com certeza não votariam nesse candidato; e 42% são indiferentes. Em outros termos, a partir das constatações podemos concluir que o consciente coletivo paulista encontra-se desejoso de renovar o ciclo de governança estadual. 

Entretanto, quando miramos os cenários de intenção de voto ambientados em um enfrentamento de primeiro turno, verificamos que Geraldo Alckmin, o político que por mais tempo governou o Estado em toda a história de São Paulo, divide tenuamente as preferências com os seus antagonistas imemoráveis, simbolizados pelo petismo e agora representados pelas figuras de Fernando Haddad e Guilherme Boulos. Ou seja, mesmo Alckmin estando à margem do tucanato poderá recriar a lógica das disputas ocorridas em 2002 contra José Genuíno; 2006 e 2010 em contraposição a Aloizio Mercadante. 

Porém o ambiente social está volatilizado e a contenda pode angariar contornos imprevisíveis, uma vez que as pautas eleitorais terão foco em temas como o desenvolvimento econômico, através da recuperação de empresas e a retomada da geração de emprego e renda, além da edificação e ampliação das redes de proteção social, com ênfase no acesso à cidadania plena, como também, à segurança alimentar. Em síntese, um processo envolto no anseio de alternância, todavia estabelecido por acirramentos tradicionais e marcados por scripts extemporâneos. A vontade de renovação e a necessidade de superação serão representados pelo retorno à normalidade, onde tudo contenha significado coerente e a esperança ressurja no horizonte observável.

Nilton Cesar Tristão, Cientista Político - Opinião Pesquisa & GovNet