Já diziam os Romanos: Condomínio é a mãe das discórdias

Morar, viver - e conviver - em condomínio não é tarefa fácil

Foto ilustrativa

Foto ilustrativa | Beth Santos/Secretaria Geral da PR

Hoje no Brasil, mais 70 milhões de pessoas moram em apartamentos – e consequentemente, se veem obrigadas a viver e conviver em condomínios. Ainda no campo dos números, o Centro de Estudos da Metrópole (CEM da FAPESP) identicou que na cidade de São Paulo a quantidade de prédios superou a quantidade de casas.

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Nos últimos 35 anos, vimos um processo rápido e crescente de verticalização, e a Baixada Santista não ficou atrás. Não à toa, em 2018, pesquisa realizada pelo grupo ZAP Imóveis considerou Santos como a cidade mais verticalizada do Brasil: 63% de construções destinadas à moradia são prédios.

E com os prédios, surge então, uma nova forma de viver em sociedade – de repente, encontram-se num mesmo local culturas em diversidade nunca dantes postas frente à frente, tendo cada indivíduo os seus hábitos, suas experiências e suas forma particulares e únicas de perceber e interpretar a vida… Tendo todos, em comum, um fato importantíssimo – essas pessoas nunca tiveram contato uma com as outras, e assim, repentinamente, passam a ser muito além que meros vizinhos: ao passarem a viver e residir em condomínios, compartilhando as áreas comuns – piscinas, áreas de lazer, academias, elevadores, dentre outras – o que fatalmente, irá provocar algum tipo de conflito ou choque, seja de opiniões ou até mesmo de interesses.

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Assim em todo esse nosso enorme Brasil, nos cerca de 450 mil condomínios instalados e implantados, não apenas moramos. Mais que isso, cada interação humana, cada conflito, cada ação assertiva, faz ter-se mudanças nas relações sociais, e infuenciam o convívio diário. E isso tem reflexos diretos nas interações de regramentos, urbanidade e boa vizinhança.

Viver em condomínios – verdadeiro microuniverso inserido dentro do universo maior chamado Sociedade – envolve, mesmo nas ações mais simples e comezinhas, direitos, deveres, ônus e bônus que devem ser suportados por todos os seus usuários, sendo imperioso e imprescindível que cada um dos envolvidos respeitem – e tenham respeitados – os seus limites, como também, aos direitos dos demais moradores.

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E é pensando nesse universo, que o Diário do Litoral trará, nessa coluna semanal, informações, análises, dicas, tira dúvidas e tudo o mais que for possível, relacionado ao Viver em Condomínios. Não com o olhar apenas jurídico, mas com uma visão holística, multidisciplinar e humanística, afinal, estamos falando de interações humanas e de pessoas – e gosto sempre de lembrar o grande escritor Érico Veríssimo, quando ele diz que não adianta construir arranha-céus se não existirem mais almas humanas para nele morar.

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Ao longo de mais de vinte anos atuando na área, não foram poucas as demandas, conflitos e lides que vi surgir no seio do viver em condomínio. Elas vão de simples discussões quando à briga por espaço em uma garagem, ou pela disputa por uma vaga específica, mais próxima à porta de entrada ao hall do prédio, até situações mais extremadas – que extrapolam o suportável, fazendo ruir esferas mais complexas, jogando ao chão os princípios da convivência pacífica, quando tem seu conteúdo moradores ou usuários com destacado comportamento antissocial.

Não importa o tamanho da briga: o viver em condomínio deve serleve, saudável e prazeroso, afinal, ali escolhemos para morar, descansar, ficar com a família, ou simplesmente, aproveitar a nossa intimidade.
 

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Precisamos dar um sentido humano às nossas construções. E queremos com essa coluna, ajudar de alguma forma a que isso seja atingido. Mostrar os direitos. As obrigações. Orientar. Trazer. Dicas. Casos de sucesso. Mostrar novas possibilidades. 

E não esqueça, tem dúvida sobre condomínio? 

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