Rali mundial por trigo, milho, café e arroz pode afetar preços no varejo

As notícias do campo por Nilson Regalado

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31 JAN 2021Por Artigo13h31
Foto: Snapwire/Pexels

Por Nilson Regalado

Mesmo com os avanços tecnológicos introduzidos no campo desde a Green Revolution, na década de 1960, a instabilidade climática provocada pelo aquecimento global vai se refletir no teu bolso em 2021. O calor em áreas produtoras de café no Brasil, maior produtor e maior exportador mundial do grão, provocará quebra acentuada na safra a ser colhidas a partir de maio. O reflexo foi a alta das cotações nas bolsas internacionais. Aqui, nos primeiros 19 dias de janeiro, o café arábica de boa qualidade colhido em 2020 subiu quase 8%, segundo o Cepea/USP, com a saca atingindo preço recorde desde o início da pesquisa, em 1996.

Diante do apetite comprador de potências mundiais que fazem estoque de alimentos neste momento de incertezas, governos da Ucrânia e da Rússia têm sido pressionados a restringir exportações de milho e trigo. Os dois países são grandes fornecedores de grãos e essa proteção a seus mercados internos já se reflete em alta global no preço do trigo, com impacto imediato nos moinhos brasileiros.

A boa notícia é que a safra de arroz já começou a ser colhida no Rio Grande do Sul, maior produtor do cereal no País, e deve continuar até março, o que pode aliviar momentaneamente o bolso do consumidor brasileiro.

Cada qual tem seus mitos.
Fundadora do Instituto Oceanográfico da USP e primeira mulher membro titular da Academia Brasileira de Ciências, a bióloga Marta Vanucci morreu no último dia 15, deixando importante legado para gerações presentes e futuras. Marta foi fundamental na conquista do navio científico Professor W. Besnard, que tornou o Brasil um dos líderes mundiais na pesquisa sobre estoques pesqueiros e aquecimento global. Abandonado, o navio apodrece no Porto de Santos...

Legado da senzala...
Referência em pesquisa e ensino na área da cachaça, a Universidade Federal de Lavras, no sul de Minas Gerais, inicia neste ano a pós-graduação lato sensu em Tecnologia de Cachaça de Alambique. As matrículas estavam prevista para fevereiro, mas a pandemia atrasou o calendário.

...e alma brasileira.
Os alunos estudarão desde o plantio da cana até a análise sensorial, passando pelo aproveitamento de resíduos, legislação e comercialização. Um módulo será dedicado aos licores.

Sabores do Rio Araguaia.
O Ministério da Agricultura acaba de conceder selo de Indicação Geográfica a um queijo produzido nas nascentes do Rio Araguaia com técnicas únicas no mundo. Chamado de cabacinha por conta do seu formato, o queijo do Goiás é feito com leite cru, não pasteurizado. Diferente dos queijos mineiros, que são maturados em formas, o cabacinha é amarrado e pendurado até esgotar todo soro do leite.

Filosofia do campo:
"Sou a dureza desses morros revestidos, enflorados, lascados a machado, lanhados, lacerados, queimados pelo fogo, pastados, calcinados… E renascidos". Cora Coralina (1889-1985), poeta goiana.