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O Brasil está cansado de assistir as cenas da cracolândia mais conhecida do país nos noticiários da TV, e isso não é “privilégio” de São Paulo, pois há centenas de cracolâncias em outras cidades, incluindo Santos e demais da Baixada.  

O problema parece não ter fim, apesar de tantos iluminados que em vésperas de eleições se apresentam como quem trará luz em meio à escuridão. No entanto é um vespeiro.

A primeira resistência virá dos usuários de droga e do tráfico, que obviamente não receberão de bom grado qualquer iniciativa que lhes tire o prazer ou o lucro. Logo em seguida parte da mídia irá atacar, pois não ousem tentar resolver algo de forma que não agrade a opinião midiática nem tão pouco aos “especialistas” que costumam arrumar para depoimento nessas ocasiões.

Diversas ações já foram tentadas e recorrentemente abandonadas. Em dado momento percebem que o custo/benefício político não valia a pena. Afinal, enquanto estão cuidando da questão, o problema fica mais exposto e é melhor que seja esquecido.

Longe de eu ter a pretensão de ser mais um desses messias iluminados, contudo há alguns pontos que devem ser observados.

Assim como Segurança Pública não é só questão de polícia, o problema das drogas também não. Bem como não é uma questão isolada de saúde pública ou meramente social. O problema atinge a todas as áreas e a solução também. A falha mais comum é tentar resolver de forma isolada, ou como fizeram no Programa De Braços Abertos, do então prefeito Haddad, retirando por completo a repressão e tratando apenas como uma questão social e aderindo a Redução de Dano, o que na prática inibe a repressão ao uso de droga e por consequência incentiva o consumo.

A questão deve ser estudada e planejada juntando uma força tarefa para a execução com metas a curto, médio e longo prazo corrigindo possíveis falhas no decorrer da ação. Todos devem estar envolvidos em um plano que não se dilua no tempo.

Inicia-se com o controle, catalogando cada dependente químico daquela região, realizando a avaliação psicológica, busca pelo apoio familiar e assim montar uma estratégia. 

Inicialmente a repressão ao tráfico deve ser estudada e ser dura, desestabilizando a organização. Em seguida um constante policiamento preventivo evitando que a estrutura se reorganize, e impedindo que os usuários tenham facilidade na obtenção das drogas, e também evitando os crimes relacionados na região, como roubos e furtos.

Os locais públicos devem ser tomados e administrados pelo estado, as vias e calçadas liberadas. O trabalho social oferecido pela prefeitura entra nessa fase, para isso, deve haver abrigos disponíveis aos que tiverem interesse.

As ações sociais de igrejas e outros voluntários devem ser direcionados pelos órgãos responsáveis pelo programa, talvez relocados para outras regiões, caso um dos objetivos seja a dispersão dos dependentes daquele lugar. A iniciativa privada deve ser estimulada a colaborar, sempre direcionada pela chefia responsável pelo programa. Entidades sociais privadas devem fazer parte da Força Tarefa e entender as estratégias que serão aplicadas.

A internação compulsória é uma ótima ferramenta, contudo, antes disso deve haver vaga para a internação voluntária que deve ser incentivada pelo serviço social.

Relatórios com estatísticas confiáveis devem ser constantemente analisados, para possíveis ações corretivas. Nesses relatórios o sucesso do programa é verificado pelo número de dependentes químicos que aos poucos vão sendo reinseridos na sociedade, pela redução dos índices criminais, pelo número de traficantes presos, pela redução da circulação de drogas, pela revitalização do comércio e da antiga vida cotidiana.

Outra observação importante é não deixar que outras cracolândias sejam iniciadas em outros locais, isso apontaria apenas uma migração, o que seria nada mais do que uma maquiagem. 

É um desafio com altos custos e que certamente encontrará resistência, como dito, primeiramente pelos usuários de drogas, por traficantes, parte da mídia e também por partidos de oposição e outros que irão temer o sucesso do programa simplesmente por não serem beneficiados de algum modo por ele.

Passou do tempo do Brasil encarar seus problemas com coragem e ir até o final.

Davidson Abreu, especialista em Segurança Pública com mais de 27 anos de experiência.
Bacharel em Ciências Sociais e Jurídicas.
Escritor e palestrante.
Autor do livro Tolerância Zero e outros.

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