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Caio França - O ‘Vale do Futuro’ tem que ser agora

Como acreditar no Vale do Futuro quando não se prioriza o presente, não se preserva a saúde e a qualidade de vida e não se valoriza a longevidade das pessoas

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30 JUL 2020Por Da Reportagem07h07

Em outubro do ano passado, o governador João Dória (PSDB) apresentou um megaprojeto de políticas públicas para impulsionar o desenvolvimento do Vale do Ribeira, com previsão de investimentos da ordem de R$ 2 bilhões.

Fiquei feliz com a notícia e logo pensei que a região rica em biodiversidade, com a qual eu possuo laços familiares e afetivos, ainda muito vulnerável, teria uma grande oportunidade para se desenvolver e se transformar.

Infelizmente, com a passagem de quase um ano do lançamento do projeto, pouco ou quase nada se ouve falar sobre a iniciativa que seria um dos destaques do atual governo. A pandemia pode ser uma boa justificativa para a inércia. Paralela a esta questão, tenho acompanhado a luta de prefeitos e vereadores do Vale no que compete à reivindicação de ampliação de leitos de UTI diante da evolução da Covid-19 na região nos últimos 15 dias. De acordo com dados das autoridades de saúde, a região já contabiliza 3.700 casos confirmados e 85 óbitos. 

No último dia 10 de julho, a região avançou da fase vermelha diretamente para a fase amarela do Plano SP, sem passar pela laranja. Ocorre que, com a reabertura gradual do comércio e de determinadas atividades econômicas, em 20 dias, houve um crescimento no número de pessoas infectadas, condição que pode inclusive fazer com que a região retroceda de fase.

De acordo com os vereadores dos municípios, que compartilharam a preocupação da evolução do perfil epidemiológico da região, o Censo Covid indica a existência de 29 leitos de UTI em 3 hospitais da região, sendo 25 no sistema público com taxa total de ocupação de 90%. Importante relembrar que durante entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes, no dia 03/06/20, o governador assumiu um compromisso público de ampliação de 10 novos leitos de UTI no HRR (Hospital Regional de Registro), o que ainda não se concretizou após a passagem de quase 60 dias.

Me questiono até quando ficaremos esperando pelo pior para adotar providências? Por meio do mandato parlamentar realizamos audiências públicas sobre o tema e já reiteramos inúmeras vezes a necessidade de mais investimentos em saúde, inclusive junto ao ex-secretário Germann. O Vale do Ribeira, assim como outras regiões contempladas, já deveria dispor de seus leitos a esta altura do campeonato. Como acreditar no Vale do Futuro quando não se prioriza o presente, não se preserva a saúde e a qualidade de vida e não se valoriza a longevidade das pessoas?

Dessa forma, diante da ausência de organização de estratégias de articulação regional no que compete à educação e fiscalização das medidas sanitárias e de distanciamento social, da carência de leitos, de hospitais, de exames de testagem em massa, além de ambulância para transportes dos pacientes, formalizei mais um ofício junto ao novo secretário Estadual de Saúde, Jean Gorinchteyn, solicitando com a máxima urgência, a montagem de cerca de 20 novos leitos para atendimento à demanda da população. Ao que parece, agora, com a situação agravada, o Estado trabalha finalmente para trazer os leitos prometidos para o Vale do Ribeira.

Caio França, deputado estadual