Caio França - As adversidades na retomada econômica

A ampliação do horário de funcionamento permitiria a frequência de um maior número de clientes em períodos e horários diversificados, evitando as filas de espera

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14 AGO 2020Por Da Reportagem06h50
Foto: DIVULGAÇÃO

O tema da live que fizemos esta semana nas nossas redes sociais tratou da reabertura, ainda que em horário reduzido de 6 horas e com capacidade de atendimento limitada a 40% de bares, restaurantes e afins. Convidamos o presidente do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares da Baixada Santista e do Vale do Ribeira, Heitor Gonzalez, e o presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Comércios Hoteleiros, Bares, Restaurantes e Similares da Baixada Santista e Vale do Ribeira, Edmilson Oliveira, para debaterem o funcionamento, na prática, dessas restrições de horário. 

Com conhecimento de causa, por atuarem na categoria, ambos foram unânimes em afirmar que, embora os estabelecimentos estejam cumprindo todas as regras, eles já começam a perceber que a limitação de 6 horas de funcionamento, imposta  justamente visando coibir aglomerações, passaram a ser, na verdade, a principal motivação para a concentração de pessoas nos bares e restaurantes.

A teoria, as vezes, não se aplica à prática. No entendimento dos representantes dos sindicatos laboral e patronal, a ampliação do horário de funcionamento permitiria a frequência de um maior número de clientes em períodos e horários diversificados, evitando as filas de espera.

A dificuldade de obtenção de crédito e a falta de capital de giro foi um dos motivos apontados para o encerramento das atividades de estabelecimentos tradicionais antes mesmo do início do processo de flexibilização. A antecipação, segundo Gonzalez, se justifica pela prospecção de um cenário ainda mais crítico a partir do mês de setembro, quando os funcionários que estavam recebendo o auxílio emergencial voltarão a receber de seus empregadores com a reabertura presencial.

Outro ponto levantado é que os impostos até então postergados pelo governo vão começar a bater na porta dos comerciantes, da mesma forma que os proprietários dos imóveis alugados, que negociaram uma redução no começo da pandemia, vão voltar a cobrar pelo aluguel integral. Junta-se a essa realidade o fato de os locais estarem funcionando com apenas 40% de sua capacidade.

Tenho acompanhado desde o início da pandemia, a peregrinação pelo crédito e capital de giro. Em razão disso fiz diversas indicações ao governo estadual, alertando quanto à necessidade de desburocratização dos pedidos e a extensão de linhas de créditos com juros baixos para os informais, pequenos empreendedores e produtores rurais, com e sem CNPJ. Na última segunda-feira (10), o Estado, por meio do Banco do Povo, anunciou a liberação de R$ 70 milhões em microcrédito para auxiliar justamente este público alvo mais fragilizado neste processo de retomada econômica. Uma conquista para todos.