Caio França - A pandemia da desinformação

Não compartilhe o que não possui comprovação técnica ou evidência científica. Desconfie das fontes. Seja crítico.

Comentar
Compartilhar
11 SET 2020Por Da Reportagem06h00
Foto: DIVULGAÇÃO

Como presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga os casos de “fake news” que surgiram durante as eleições de 2018 na Assembleia Legislativa do estado de São Paulo (Alesp), tenho mergulhado fundo neste debate e aprendido muito sobre esse tema desafiador. Mas hoje quero tratar de um dado assustador sobre desinformação envolvendo a Covid-19 e os esforços da ciência no desenvolvimento das vacinas em todo o mundo.

Um levantamento produzido pela União Pró-Vacina (UPVacina), um grupo de instituições ligadas à USP Ribeirão Preto que busca esclarecer informações falsas sobre vacinas, identificou um aumento de 383% em postagens com conteúdo falso ou distorcido envolvendo a vacina contra a Covid-19. A desinformação quase quintuplicou em dois meses. 

O estudo foi realizado com base em postagens dos dois principais grupos antivacina brasileiros no Facebook. Entre os dias 1º de maio e 31 de julho foram identificadas 155 postagens ligadas à vacina em desenvolvimento contra a Covid-19, com 3.282 reações, 1.141 comentários e 1.505 compartilhamentos.

Em relação ao conteúdo, o levantamento mostrou que 24,52% das publicações giram em torno de possíveis perigos e ineficácia das vacinas, 27,10% tratam de diversas teorias da conspiração e 14,84% de que vacinas podem alterar o DNA dos seres humanos. Este último apontamento já desmistificado por meio de agências de checagem.

Ainda que os representantes de todas as empresas que ouvimos recentemente durante os trabalhos da CPI das Fake News da Alesp, como Facebook, Instagram, YouTube e Twitter garantam que há esforços na diminuição da disseminação de notícias falsas, conteúdos abusivos e comportamentos inadequados, o fato é que não existe uma política de desinformação por parte das plataformas, e isto fica evidenciado na pesquisa. Do total de 155 postagens analisadas, apenas 11% foram marcadas pelo Facebook como conteúdo falso. 

Com o avanço dos testes das vacinas, as campanhas de desinformação continuarão se espalhando pelas mídias sociais. Entendo que a melhor forma de combatê-la é com a verdade. Não compartilhe o que não possui comprovação técnica ou evidência científica. Desconfie das fontes. Seja crítico. Entre os seus contatos, procure a pessoa que compartilhou notícia falsa e a convide a uma reflexão sobre o que está sendo reproduzido e de que forma isto pode reverberar na sociedade. Essa é uma maneira de contribuirmos com esse processo de educação digital e midiática no combate ao mal das fake news.

Caio França, deputado estadual