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Café 'colhido' em laboratório chega para revolucionar hábitos

A nova técnica foi desenvolvida na Finlândia e utiliza biorreatores para multiplicar células das folhas do cafeeiro

Esse é mais um avanço da nova fronteira da Ciência batizada de agricultura celular / Reprodução

Uma autêntica revolução avança silenciosamente e deve mudar hábitos de consumo ainda nesta década com a chegada ao mercado do primeiro café totalmente produzido em laboratório. A nova técnica foi desenvolvida na Finlândia e utiliza biorreatores para multiplicar células das folhas do cafeeiro.

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Esse processo transforma as células em uma biomassa com sabor, aroma e aspecto idênticos aos do café convencional. A diferença para o café plantado e colhido nas fazendas de São Paulo, da Colômbia ou do Vietnã é que o cafezinho finlandês jamais teve contato com a terra, tampouco virou flor nos cafeeiros para se transformar, depois, em grãos.

Esse é mais um avanço da nova fronteira da Ciência batizada de agricultura celular, que desde junho já produz a chamada carne sustentável, com sabor, aroma e consistência análogos aos da carne bovina. Outra vertente dessa revolução nos hábitos de consumo que deve invadir supermercados nos próximos anos são os 'frutos do mar' feitos de soja e ervilha, mas com sabor e textura idênticos aos de atum e outros peixes. Até impressoras 3 D já foram usadas para produzir filés análogos aos de salmão.

A nova técnica desenvolvida na Finlândia foi anunciada no final de setembro. Mas, para que o café análogo ao tradicional chegue aos supermercados serão necessários quatro a cinco anos, até que os órgãos responsáveis pelo controle de alimentos da Europa e dos EUA façam os testes necessários. A Finlândia é a campeã mundial no consumo de café, com 12 quilos por habitante/ano. Atualmente, 10 milhões de toneladas são produzidas a cada safra, o que faz do café a segunda bebida mais consumida no Planeta, atrás da água.

E as possibilidades descortinadas pela agricultura celular forçarão a agricultura convencional a rever suas práticas. Segundo a ONU, para produzir uma única xícara de café são necessários 140 litros de água. Mais: fertilizantes liberam gases que provocam o aquecimento global e pesticidas reduzem a biodiversidade no Planeta. E o consumo cresce rapidamente, o que pressiona florestas para expansão das lavouras.

Porém, a possibilidade de se produzir alimentos em qualquer lugar, independente do clima e do solo, deverá transformar o comércio e a logística nas próximas décadas, com impactos no Brasil, maior produtor de café do mundo. A navegação também pode sentir os efeitos dessa disrupção, especialmente no Porto de Santos, maior exportador de café do mundo.

 

Livros para todos!

A Unicamp vai doar 65 mil livros para bibliotecas públicas. Os livros foram divididos em três grupos, conforme a característica de cada interessado. Estão aptas a receber as doações bibliotecas municipais, de escolas, de universidades, de presídios, de ONGs, autarquias e fundações do Estado de SP. Os interessados devem formalizar a solicitação até 19 de novembro.

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