Artigo - Um exército de ciborgues

A ideia de que tecnologias pudessem invadir os nossos corpos é coisa muito antiga. A novidade é que esse tempo já chegou.

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27 AGO 2021Por Artigo10h10
Silvio Sebastião Pinto, Analista Programador e EscritorSilvio Sebastião Pinto, Analista Programador e EscritorFoto: DIVULGAÇÃO

Por Silvio Sebastião Pinto

Quando os códigos de barras começaram a ser usados, há algumas décadas, logo surgiram comentários sobre como seria realizada a marca da besta, descrita no livro do apocalipse. Então a ideia de que tecnologias pudessem invadir os nossos corpos é coisa muito antiga. A novidade é que esse tempo já chegou.

Para muitos, esse tipo de assunto ainda causa estranheza, mas para os mais conectados chega a ser divertido. Os smartwaches, por exemplo, ou relógios inteligentes, já estão sendo usados há alguns anos para fins de acompanhamento médico. Eles são capazes de aferir a pressão arterial, a medição da frequência cardíaca e a detecção de arritmias. Alguns modelos já permitem a realização de eletrocardiogramas! O cardiologista Sergio Timerman, do ICSBC, disse que pede a alguns pacientes que tirem o relatório desses marcadores e o enviem para ele analisar. Implantar dispositivos inteligentes no corpo é uma tendência, principalmente para analisar o desempenho, recuperação de atividades danificadas ou até criar novas funcionalidades para o corpo. ‘Vestir tecnologias’ nos desperta para a criação dos super humanos.

Existem impressoras capazes de fabricar qualquer tipo de peça, e outras que já são capazes de ‘imprimir’ uma casa inteira. Mas imprimir um órgão humano novo, para substituir um original defeituoso, pode parecer algo fora da realidade. Não é o que dizem os pesquisadores da NASA. Em um concurso recente ela selecionou duas equipes que apresentaram resultados animadores. O objetivo era criar um tecido espesso e vascularizado que substituísse o fígado humano, visando a transplantes de emergência. Parece história de filme de ficção, mas a verdade é que a criação de um órgão assim já é possível, o problema tem sido o período de vida, que ainda é curto. Em 2016 só no Brasil 2.300 pessoas morreram à espera de transplante. Já existem braços e pernas mecânicos que atendem a comandos do pensamento. Corpos tecnológicos têm sido uma das ambições dos cientistas para salvar vidas, além de empoderar as nossas habilidades naturais.

A empresa Neuralink, que desenvolve chips neurais, anunciou no início de fevereiro que já estava prestes a testar em seres humanos uma novidade que parecia impossível. Primeiro eles ensinaram um macaco a jogar videogame com um joystick. Aí eles implantaram um chip no cérebro dele e não deram mais o joystick. Então o animal passou a ‘imaginar’ os movimentos que poderia fazer com as mãos e, assim, com o ‘pensamento’, ele conseguiu jogar. As aplicações em humanos podem ser inúmeras, desde tratamentos de doenças cerebrais até o aprendizado induzido, como o download de um novo idioma. 

Se você também quiser criar alguma nova funcionalidade humana, uma sugestão é o capacete da startup americana Kernel, capaz de ler a mente. A tecnologia já existe há tempos, mas agora o aparelho fica em um capacete, e consegue ler os estímulos dos neurônios. Conseguindo interpretar corretamente esses sinais dá até pra saber o que a pessoa está pensando.

Silvio Sebastião Pinto, analista programador e escritor