Artigo - Poeira das estrelas, Vida e Deus

A vida do SER HUMANO é vida de pastoreio, daquele que sabe que o mundo é sua morada visível, experienciável e que é a partir dele, em diálogo com os OUTROS, natureza e transcendência, que são tomadas as rédeas do planeta

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18 JUL 2021Por Artigo06h40
Diego Monsalvo, professor de filosofia e escritorDiego Monsalvo, professor de filosofia e escritorFoto: DIVULGAÇÃO

Por Diego Monsalvo

Sem histeria, delírios ou gritos de amém, ainda me pergunto baixinho: DEUS existe?

A VIDA é a primeira realidade que temos. Religiosos, gnósticos ou ateus, não importa, todos concordamos que primeiro nascemos e daí todo o resto. Podemos senti-la e desfrutá-la. Porém, para dar-lhe sentido e preservá-la, somos obrigados dia a dia a repensá-la com profundidade.

Não é preciso muito para perceber que todo organismo vivo não quer morrer. 

A planta, em sua busca incessante pela energia que lhe proporciona o Sol, resiste até a última gota de água para manter-se em seu SER planta. Já os animais parecem ter total consciência da necessidade deste processo de permanecer vivendo. É fundamental que ao olharmos para as vegetações em suas folhagens amareladas e seus caules ressequidos, lembremo-nos do exemplo de luta pela vida que aí se encerra. Por sua vez, ao observarmos um cão, temos a certeza de que ele possui uma gana de viver que não lhe permite deixar de comer, beber etc. E acrescente-se a tudo isso os sentimentos de prazer e proteção.

Se isso é possível observar nos seres chamados não racionais, imagine o SER HUMANO, pensador da vida, programador do futuro, ator do presente.

A vida do SER HUMANO é vida de pastoreio, daquele que sabe que o mundo é sua morada visível, experienciável e que é a partir dele, em diálogo com os OUTROS, natureza e transcendência, que são tomadas as rédeas do planeta.

Este viver do HUMANO é uma necessidade que lhe habita as entranhas desde seu processo de fecundação, afinal, a busca pelo mantenimento na vida se dá já a partir deste período. Éramos células de vida inteligente desde o início. Esta inscrição inteligente em nossas vidas, de onde mais nos poderia ter vindo? Que geneticista  ousaria dizer com garantias inquestionáveis que viemos do acaso e do absurdo? É aí que sendo criaturas dentre criaturas, pequeninas poeiras cósmicas, PODEMOS falar criativamente acerca de um DEUS VIVO, de uma UNIDADE ORIGINÁRIA e criadora que quis nos dar a chance da felicidade do VIVER em abundância e sem medo.

Quando, no princípio, criou DEUS o Céu e a Terra e viu que tudo era BOM, como que, prolongou a expansão de seu coração AMANTE (o BIG BANG de DEUS), tornando-nos amados desde SEMPRE. Faz sentido, não?!

DEUS, nessa lógica, inseriu no universo a alegria da existência nas potencialidades da vida dentro de uma aliança de IGUALDADE radical que nos une enquanto criaturas, uma vez que a pobreza é uma situação econômica criada a partir da desigualdade social, pela falta da justa e necessária divisão das riquezas produzidas, onde uns se declaram administradores da vida do outro, e como deuses embusteiros, transferem ao TER (fruto do individualismo, da competição e da busca pelo acúmulo material) toda a expressão do SER (fruto da igualdade, do cuidado e da busca pela felicidade plena).

É, portanto, razoável a crença na existência de DEUS, afinal, ainda que dentro dos limites de nossa razão, podemos com rigor suficiente intuí-lo, todavia, sem decifrá-lo.

É uma ideia, uma causa, um ato diário de fé! Se é verdade, talvez, quem sabe, o coração algum dia nos revele face a face!

* Diego Monsalvo, professor de filosofia e escritor