Artigo - O reinado do petróleo vai declinar a partir de 2030

A Baixada precisa com urgência pensar num jeito de atrair outros tipos de empreendimentos e se tornar polo de tecnologias limpas

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11 JUN 2021Por Artigo06h40
Silvio Sebastião Pinto, Analista Programador e EscritorSilvio Sebastião Pinto, Analista Programador e EscritorFoto: DIVULGAÇÃO

Por Silvio Sebastião Pinto

Em 2006, a Petrobrás anunciou a descoberta do pré-sal. Havia muito que se falava em outras fontes de energias que fossem renováveis. Porém, com a abundância de petróleo, esse tema sempre era deixado de lado.

Mas a ala dos que trabalham em prol do meio ambiente continuou na sua labuta, e tem vencido. Com isso as grandes empresas, movidas por uma nova mentalidade, têm conseguido impor uma nova agenda, mais focada em sustentabilidade. Alguns experimentos com carros autônomos impulsionaram o desejo por motores que não usam combustíveis fósseis, o que se tornou uma tendência irreversível. 

A Baixada tem uma forte ligação com a produção e o refino de petróleo, e isso nos coloca numa encruzilhada cruel. Segundo dado de 2018, as nove cidades que a compõe arrecadaram mais de R$ 237 milhões provenientes de recursos de royalties do petróleo, e segundo o CIDE-Cubatão em 2017 as empresas da cidade, notadamente as do polo, pagaram US$ 371 milhões em impostos. De acordo com a analista de mercados de petróleo Sofia Guidi Di Sante, da Rystad Energy, a demanda de petróleo vai continuar afetada até 2025, por conta da Covid-19, e a partir daí o setor petroleiro vai degringolar gradativamente, por conta das sucessivas substituições de frotas. Ou seja, o mercado petroleiro já está se despedindo dos bons tempos de fartura e glória. 

Esse é um cenário meu, é apenas uma hipótese, mas imagine que daqui uns dez anos o polo de Cubatão comece a encolher, e anuncie que vai continuar fazendo isso gradativamente, até desativar por completo. Imagine o impacto econômico na região. Muitas outras empresas que trabalham nessa órbita também vão entrar em decadência. Você consegue imaginar uma cidade fantasma? 

Tudo bem, estou exagerando, não será bem assim, a frota atual de veículos ainda vai durar algumas décadas, e o petróleo não é usado apenas para fazer gasolina e óleo diesel, tem muitas outras coisas, que não poderão ser substituídas de imediato, então o petróleo não vai deixar de existir por completo no curto prazo; mas deve promover a dança das cadeiras numa escala preocupante, o que vai encarecer muito a produção desses outros derivados. 

Então os próximos anos prometem muitas mudanças. Quem trabalha nesse mercado precisa se adiantar e aprender as novas tecnologias que vão dominar o novo cenário. Essas novas tecnologias virão para dar um novo sentido ao que acreditamos e às coisas que realmente damos valor, um planeta mais limpo e humanizado. Mas, não se engane, a conta será paga pelos desavisados. 

A Baixada precisa com urgência pensar num jeito de atrair outros tipos de empreendimentos e se tornar polo de tecnologias limpas. Nem tudo está perdido. Quem conseguir assimilar como será o novo mundo, e tiver atitude, ainda pode se dar muito bem. A Covid-19 está nos ensinando que catástrofes podem se tornar oficinas de grandes oportunidades. 

* Silvio Sebastião Pinto, analista programador e escritor