Por Silvio Sebastião Pinto
A sigla NFT tem inundado os mais diversos veículos de comunicação, desde aqueles sobre economia e política até os de fofoca, artes e esportes. Isso quer dizer “token não-fungível”. É um tipo de certificado de autenticidade digital, válido em todo o mundo. É uma febre, mas pelas características e pelo engajamento geral, parece mesmo que veio pra ficar.
Basicamente é um jeito simples de transferir coisas de valor do mundo real para o mundo digital. Por exemplo, recentemente um certo Beeple, que cria pintura em formato digital, vendeu uma obra por uma fortuna, 69 milhões de dólares em um leilão! Existe uma grande discussão sobre a validade desse tipo de mercado, sobre loucura e insensatez das pessoas, sobre a possibilidade de ser uma bolha, como tantas outras do mercado financeiro. Pelo que tudo indica acho que tanto compradores, quanto incentivadores e céticos estão certos, talvez com proporções de expectativas ainda a serem ajustadas.
Então, se você tem uma música, uma obra de arte plástica, um objeto raro, até um documento, ou qualquer coisa que seja realmente sua e você queira vender, pode arranjar um profissional que crie uma versão disso para o mundo digital, um NFT. E se você é alguém com alguma projeção social, pode se dar muito bem. As pessoas compram isso, e através de um mecanismo digital chamado Blockchain você pode transferir a posse, total ou parcial, definitiva ou provisória. É como uma escritura, só que muito melhor, pois as transações podem ser feitas e reconhecidas no mundo inteiro, sem precisar de carimbos, selos ou assinaturas.
O fundador do Twitter vendeu o primeiro tweet por 2,9 milhões de dólares. Uma empresa vendeu dezenas de desenhos de gatinhos por outros milhões. O jornal New York Times vendeu um de seus artigos por 560 mil dólares. Mas não se assuste, quem compra pode revender. Essas coisas soam como absurdas, eu concordo. Mas se tem gente que paga, podemos arranjar alguma coisa para vender. Se coisas tão bizarras estão prosperando aqui e ali, então eu pensei em algo que pode até soar como esdrúxulo, mas faz total sentido dentro desse novo mundo de esquisitices.
Podemos criar um NFT Cidadão da Realeza Santista. Seria um tipo de chave da cidade, uma honraria, ofertada para poucas centenas de pessoas. Não seria uma grande fonte de renda para Santos, o objetivo seria posicionar a cidade como uma bandeira de vanguarda tecnológica. Como benefício essas pessoas receberiam títulos e poderiam ter acesso facilitado aos assuntos e à sede da Câmara Municipal, tudo através de um documento especial; como se fosse um clube de magnatas.
As possibilidades são inúmeras. Sabendo tirar proveito das novidades que o mundo tecnológico tem nos presenteado podemos trazer benefícios para a baixada, no curto, no médio e no longo prazo.
* Silvio Sebastião Pinto, analista programador e escritor
