Artigo - e-Real, o nosso novo dinheiro

O Banco Central do Brasil, bem como de outros países, está com projetos bem avançados para substituir o dinheiro de papel pelo digital

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28 MAI 2021Por Artigo06h41
Silvio Sebastião Pinto, Analista Programador e EscritorSilvio Sebastião Pinto, Analista Programador e EscritorFoto: DIVULGAÇÃO

Por Silvio Sebastião Pinto

Foi-se o tempo em que o mundo era lento. Várias gerações usavam os mesmos tipos de roupas, sapatos, mobiliários, alimentos. Rotina era repetir sempre os mesmos hábitos e ideias. Rotina é um conceito que talvez deva ser reformulado em breve, pois por rotina se entende monotonia, algo como o trotar de um cavalo lerdo. Ou talvez apenas a dinâmica das rotinas esteja se alterando. Recentemente foi adotada a palavra disruptivo para conceituar transformações profundas, que destroem uma rotina e criam outra num piscar de olhos. 

A questão é que gerações diferentes lidam de formas diferentes para assimilar essas reviravoltas que estão acontecendo o tempo todo, em todas as áreas. 

E o Covid-19 fez o mundo acelerar ainda mais. Tecnologias novas podem ser uma bênção, se você conseguir acompanha-las. As cripto-moedas, das quais a mais conhecida é o Bitcoin, criaram um universo tecnológico à parte, e governos e empresas antes acostumados a estarem na vanguarda agora estão perdendo o ritmo. Do uso alucinado dessas novas moedas para investimento, surgiu a ideia de os governos criarem dinheiro completamente digital. 

A novidade agora, o que vai mudar a rotina desta vez, é que o Banco Central do Brasil, bem como de outros países, está com projetos bem avançados para substituir o dinheiro de papel pelo digital. 

A China é um dos países que estão mais adiantados nesse processo, já está na fase de testes. Apoiado por uma tecnologia chamada Blockchain esse novo conceito de dinheiro promete fazer uma reviravolta no mundo das finanças e na economia mundial. Por exemplo acredita-se que se a China for bem sucedida o e-Yuan tem grande potencial para se tornar a nova moeda universal, e desbancar o dólar americano. Em vez de comprar dólar para viajar ou guardar você vai fazer isso com a moeda chinesa. Meio assustador, certo? Isso porque os EUA estão atrasados nessa corrida, eles perderam o compasso desta vez. É complicado estar sempre na vanguarda, é complicado estar sempre saindo da rotina para criar novas rotinas, para inovar e fazer girar a roda da economia. Essa paranóia de ter que mudar sempre causa um pouco de enjoo. 

Isso vai ser mais seguro para nós? Ainda não sabemos, o que se sabe é que sempre que chega uma nova tecnologia para o bem, o lado escuro da lua inventa um jeito de perpetuar a maldade. 

O certo é que o governo federal já oficializou que vamos entrar nessa onda, então é bom entrar no barco e superar o enjoo inicial. Depois a gente se acostuma e a viagem segue normal.

* Silvio Sebastião Pinto, analista programador e escritor