Artigo - Doria x Bolsonaro

A política é uma ciência exata? Não, mil vezes não. Mas ela nos dá sinalização, em alguns casos sinalizações bastante evidentes, quanto ao futuro próximo

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01 OUT 2020Por Artigo06h06
Foto: AGÊNCIA BRASIL

Por Felipe Takashi

No último domingo (27), foi dada a largada na corrida pela Prefeitura de Santos. Dentre os 16 concorrentes (número recorde histórico na Baixada Santista), dois deles devem polarizar a disputa pela cadeira de Prefeito da cidade com o maior Porto da América Latina.

O tucano Rogério Santos, candidato da situação, apoiado pelo atual Prefeito Paulo Alexandre Barbosa e pelo Governador João Doria, deve rivalizar com Ivan Sartori, do PSD, que tem o apoio do Presidente da República, Jair Messias Bolsonaro.

Sartori e Rogério anteciparão aqui em Santos, o provável embate entre Bolsonaro e Doria em 2022 na eleição presidencial.

Sartori e Rogério disputarão um cargo eletivo pela primeira vez em suas respectivas trajetórias, mas ambos possuem experiência em posições executivas. Enquanto o tucano foi Secretário de Governo de Paulo Alexandre, Sartori já presidiu o Tribunal de Justiça de São Paulo (o maior tribunal do mundo), que tem o QUÍNTUPLO da arrecadação da cidade de Santos.

O futuro é difícil prever. Existem outros postulantes que podem surpreender, como Banha (MDB) e Cascione (PRONA), mas é bastante provável que o resultado da eleição em Santos seja o resultado da eleição no Brasil há dois anos.

E claro, o resultado tem de sê-la desfavorável para os tucanos. Talvez, a rejeição ao partido de Doria, Paulo Alexandre, José Serra e Rogério Santos seja igual, ou maior, do que a rejeição ao Partido dos Trabalhadores. Além disso, caso a derrota do candidato da situação se confirme, será difícil justificar as recentes 'pesquisas' que apontavam certa popularidade para o atual Prefeito Paulo Alexandre Barbosa.

Como ser popular, mas ser incapaz de eleger o seu sucessor? A escolha de Rogério Santos foi bastante trabalhosa para o atual mandatário. Afinal, qual a motivação das desistências de Kenny, Rosana Valle, Audrey Kleis e Paulo Corrêa Júnior? Será mesmo que o eleitor santista acreditará na narrativa criada pela atual administração?

Seria Rogério Santos a extensão do mandato do atual prefeito? Será que sua falta de personalidade foi fator decisivo para a sua escolha?

Tudo isso, claro, facilitará, e muito, a narrativa do candidato apoiado pelo Presidente da República Jair Messias Bolsonaro. Pois tanto Sartori quanto Bolsonaro são personalidades fortes, altivas, com muitos arquétipos de realização e poder, e em minha opinião, isso saltará aos olhos do eleitor quando comparados.

A política é uma ciência exata? Não, mil vezes não. Mas ela nos dá sinalização, em alguns casos sinalizações bastante evidentes, quanto ao futuro próximo.

Felipe Takashi, especialista em Marketing Político e Esportivo