Artigo – Doria x Bolsonaro

A política é uma ciência exata? Não, mil vezes não. Mas ela nos dá sinalização, em alguns casos sinalizações bastante evidentes, quanto ao futuro próximo

Por Felipe Takashi

No último domingo (27), foi dada a largada na corrida pela Prefeitura de Santos. Dentre os 16 concorrentes (número recorde histórico na Baixada Santista), dois deles devem polarizar a disputa pela cadeira de Prefeito da cidade com o maior Porto da América Latina.

O tucano Rogério Santos, candidato da situação, apoiado pelo atual Prefeito Paulo Alexandre Barbosa e pelo Governador João Doria, deve rivalizar com Ivan Sartori, do PSD, que tem o apoio do Presidente da República, Jair Messias Bolsonaro.

Sartori e Rogério anteciparão aqui em Santos, o provável embate entre Bolsonaro e Doria em 2022 na eleição presidencial.

Sartori e Rogério disputarão um cargo eletivo pela primeira vez em suas respectivas trajetórias, mas ambos possuem experiência em posições executivas. Enquanto o tucano foi Secretário de Governo de Paulo Alexandre, Sartori já presidiu o Tribunal de Justiça de São Paulo (o maior tribunal do mundo), que tem o QUÍNTUPLO da arrecadação da cidade de Santos.

O futuro é difícil prever. Existem outros postulantes que podem surpreender, como Banha (MDB) e Cascione (PRONA), mas é bastante provável que o resultado da eleição em Santos seja o resultado da eleição no Brasil há dois anos.

E claro, o resultado tem de sê-la desfavorável para os tucanos. Talvez, a rejeição ao partido de Doria, Paulo Alexandre, José Serra e Rogério Santos seja igual, ou maior, do que a rejeição ao Partido dos Trabalhadores. Além disso, caso a derrota do candidato da situação se confirme, será difícil justificar as recentes ‘pesquisas’ que apontavam certa popularidade para o atual Prefeito Paulo Alexandre Barbosa.

Como ser popular, mas ser incapaz de eleger o seu sucessor? A escolha de Rogério Santos foi bastante trabalhosa para o atual mandatário. Afinal, qual a motivação das desistências de Kenny, Rosana Valle, Audrey Kleis e Paulo Corrêa Júnior? Será mesmo que o eleitor santista acreditará na narrativa criada pela atual administração?

Seria Rogério Santos a extensão do mandato do atual prefeito? Será que sua falta de personalidade foi fator decisivo para a sua escolha?

Tudo isso, claro, facilitará, e muito, a narrativa do candidato apoiado pelo Presidente da República Jair Messias Bolsonaro. Pois tanto Sartori quanto Bolsonaro são personalidades fortes, altivas, com muitos arquétipos de realização e poder, e em minha opinião, isso saltará aos olhos do eleitor quando comparados.

A política é uma ciência exata? Não, mil vezes não. Mas ela nos dá sinalização, em alguns casos sinalizações bastante evidentes, quanto ao futuro próximo.

Felipe Takashi, especialista em Marketing Político e Esportivo