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Artigo - Do verbo educar

Em nosso atual cenário de trevas, a tarefa básica do professor é a de levar seus alunos a pensar que um mundo melhor é viável e que esse não é o melhor dos mundos possíveis

Diego Monsalvo, professor de filosofia e escritor / DIVULGAÇÃO

Por Diego Monsalvo

A cada dia que passa se solidifica em nosso meio a ideia de que professor é realmente uma profissão perigo! Assim como na famosa série MacGyver, dos anos 80, mas sem o mesmo glamour, é claro, a maioria dos trabalhadores da educação têm que cada vez mais se adaptar às situações mais terríveis do dia a dia e fazer mágica para tirar da cartola um coelho... uma caixa de giz, um saco de arroz, um vale transporte, um pacote de internet e um cartão alimentação que não cobre o valor do salgado que não alimenta. 

O que deveria ser não é, mas ainda assim, a maioria persiste nesse trabalho porque além de precisar pagar as suas contas e sobreviver entende também que bem no fundo, quando nos deparamos com uma sala de aula repleta de alunos, podemos impulsionar e criar momentos fundamentais para a conquista de autonomia e significação para as gerações futuras e para a nossa própria vida presente.

Em nosso atual cenário de trevas, a tarefa básica do professor é a de levar seus alunos a pensar que um mundo melhor é viável e que esse não é o melhor dos mundos possíveis. Pois está para o professor a certeza de que a humanidade pode crescer em sabedoria, no entanto, faz-se urgente que se reaprenda a sonhar. E sonhar implica em, concretamente, efetivar uma utopia conjunta. Como diz o cantor-filósofo Raul Seixas (1945-1989): “Sonho que se sonha só, é só um sonho que se sonha só, mas sonho que se sonha junto é realidade”.

Daí que, de fato, o maior desafio se encontra em retomar a capacidade de sonhar, e sonhar é fazer emergir a faculdade livre de significar tendo a presença do outro como irrenunciável parte de si mesmo a ser convencida de rebeldia e esperança; para que, já essa geração, não fuja ou determine como impossíveis os seus sonhos, mas reflita profundamente até que ponto são sonhos que nasceram de aspirações e vontades próprias, de desejos libertos e autênticos e não são meros produtos encomendados do mercado e da tecnologia? Até que ponto não são sonhos induzidos para fazer valer a lei da inércia na condição humana? Será que não estamos vendendo nossos sonhos a cada instante a preço nenhum? Quanto vale um sonho? Devemos buscar ativar o pensamento como meio de liberdade e resistência para que cheguemos ao âmago de nossa condição, que se mostra na clareza do verso: "Navegar é preciso viver não é preciso”.

* Diego Monsalvo, professor de filosofia e escritor

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