Artigo - Barreira de contenção na Ponta da Praia

O mar invade a avenida, toma conta de tudo, põe medo nos moradores e fica por isso mesmo. Técnicas para resolver, existem, e são acessíveis.

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04 JUN 2021Por Artigo06h40
Silvio Sebastião Pinto, Analista Programador e EscritorSilvio Sebastião Pinto, Analista Programador e EscritorFoto: DIVULGAÇÃO

Por Silvio Sebastião Pinto

A Ponta da Praia tem sofrido cada vez mais com a agressividade do mar, o que gera insegurança e desvaloriza a região. Com as alterações climáticas sabemos que a tendência é que essa situação continue se agravando, e essa é uma perspectiva terrível.

Não é um problema exclusivo de Santos, muitos povos do passado já sofriam com a invasão ou falta de água. As tecnologias para conter, desviar e armazenar água são frutos de uma luta antiga. E nós, aqui, em pleno século 21, estamos sofrendo com a fúria do mar como pobres expectadores, sem poder fazer nada. O mar invade a avenida, toma conta de tudo, põe medo nos moradores e fica por isso mesmo. Técnicas para resolver existem, e são acessíveis. 

Com o mar não tem acordo: ele vai continuar a responder às nossas agressões ao meio ambiente, são causas e consequências. A curto prazo o que nos resta é criar algum mecanismo que aplaque essa fúria.

A cidade de Veneza, por exemplo, construiu uma grande barreira dentro do mar que amortece a força das ondas e reduz a quantidade de água que chega perto da orla. Uma ideia simples, mas funcional. Poderíamos fazer algo semelhante, não me parece coisa de outro mundo. E esta é uma região que sempre demandou um pouco mais de esforço tecnológico do que outras, e isto nos torna aptos a empreitadas cada vez maiores. 

A calçada de lorena, por exemplo, foi o primeiro caminho pavimentado a ligar Santos à capital. Não era mais que um calçamento rústico, um assentamento manual de pedras irregulares, serpenteando por dentro da mata, pela qual os animais subiam e desciam com mercadorias no final do século 18. Foi um grande feito naquela época, e abriu caminho, literalmente, para projetos ainda mais ambiciosos. 

A nossa seria uma barreira bem menor e mais barata que a italiana. Melhor ainda, poderia ser transformada num ponto turístico, como o Emissário. Por exemplo, poderia comportar uma bela praça de alimentação, um mercado de artes e até um cais para pesca esportiva. Ela teria uma mini ilha artificial no extremo. Assim o retorno desse investimento viria também através de novas formas de lazer. Uma ilha artificial, coisa que já está ficando comum em países ricos, por menor que seja, traria muita visibilidade para a cidade.

Santos é um balneário que recebe milhões de turistas todo ano, dispostos a gastar, mas os atrativos são muito básicos. Faltam estruturas grandiosas, como parques temáticos e trem turístico ‘da Disneylândia’. A criação dessa barreira já seria um bom começo pois resolveria múltiplos problemas.

* Silvio Sebastião Pinto, analista programador e escritor