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Artigo - A urna da discórdia

Se alguém quiser desprezar as nossas conquistas por motivos ideológicos, talvez não esteja abraçando as ideologias mais inteligentes

Silvio Sebastião Pinto, Analista Programador e Escritor / DIVULGAÇÃO

Por Silvio Sebastião Pinto

O Brasil tem realmente pouquíssimos trunfos tecnológicos diante dos países mais competitivos, por isso precisa dar valor a essas vantagens. Ou não, depende do ponto de vista. Se alguém quiser olhar para essas vantagens com viés político e relativizar, ou mesmo desprezar o que, a duras penas, conquistamos, tem esse direito, mas não tem razão. Assim como não tem razão quem rasga dinheiro. Se alguém quiser desprezar as nossas conquistas por motivos ideológicos, talvez não esteja abraçando as ideologias mais inteligentes. 

A urna eletrônica é uma sacada inteligente. Do ponto de vista da tecnologia todo esforço excessivamente manual deve ser informatizado, e é isso que foi feito. É isso que as empresas fazem com todo tipo de processo, e é isso que as tornam cada vez mais ricas e competitivas perante seus concorrentes. Você consegue imaginar os bancos acabando com os caixas eletrônicos por que bandidos têm explodido alguns aqui e ali para roubar tudo o que tem dentro? Você consegue imaginar os bancos parando de usar cartões de crédito só por que bandidos clonam os nossos cartões e depois eles têm que repor o que nos foi roubado? Não seria inteligente voltar no tempo; o que resta nesse caso é aperfeiçoar ainda mais a tecnologia. Pois é, não existe nenhuma prova de que as urnas eletrônicas já tenham sido realmente adulteradas. 

Mas um pequeno grupo de indivíduos, que não faz questão nenhuma de se representar pela inteligência e bom senso, tem trabalhado para destruir o nosso trunfo da urna eletrônica; algo como pedir para alguém que venceu nas olimpíadas jogar fora sua medalha só por que o presidente não gosta de jogos olímpicos. Mais de 46 países já utilizam sistemas eletrônicos para captação e apuração de votos, total ou parcialmente, segundo o site do TSE, inclusive democracias sólidas como Suíça, Canadá, Austrália, Japão, Coréia do Sul e Estados Unidos, que já usa em alguns estados. Todos estão seguindo uma tendência que o Brasil criou. Coisa linda.

Antes de cada eleição o software da urna eletrônica fica à disposição de todos os partidos para ser conferido, não é algo secreto nem nebuloso. O TSE foi quem desenhou toda a lógica de funcionamento da urna, e empresas especializadas apenas montam a máquina; eu mesmo trabalhei numa fabricante de caixas eletrônicos que realizava essas montagens. As tecnologias, nesse caso, são semelhantes. Todos os dados das urnas são armazenados em criptografia, algo como as criptomoedas, o que os deixa seguros. Antes de serem contados, cada voto é auditado, tem como saber se houve fraude. 

 A nossa sorte foi que a Câmara dos Deputados, nesta terça feira, teve bom senso e desprezou a proposta que queria desprezar a nossa tecnologia. Precisamos de mais trunfos que projetem o Brasil diante das nações altamente desenvolvidas, de pessoas que pensem grande, de ideias que resolvam muitos outros problemas. Mas não precisamos de pessoas que se proponham a destruir as conquistas que já alcançamos, simplesmente por não terem nada mais inteligente a oferecer.

* Silvio Sebastião Pinto, analista programador e escritor

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