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Apologia, genocídio e o relativismo político

As recentes declarações sobre nazismo do deputado Kim Kataguiri e de um dos apresentadores do Flow Podcast geraram um debate sobre apologia ao nazismo e não tardou a incluir as mortes geradas pelo comunismo.

É um assunto delicado que envolve os crimes mais cruéis já praticados pela humanidade, contudo, quando o tema chega ao comunismo, envolve paixão, e a tentativa de amenizar os crimes cometidos pelo sistema, o que empobrece o debate e ao final fica a desinformação, senso comum e torcida. 

O Partido Nazista (Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães), além de outros escopos, pregava a supremacia da raça, apontada ao antissemitismo. Isso levou a morte de cerca de 6 milhões de judeus. Mas não foram somente os judeus as vítimas. Ciganos, homossexuais e até mesmo defeitos congênitos poderia ser uma sentença de morte. 

Torturas pela Gestapo e pela SS, bem como experiências dignas de filmes de horror, ocorreram durante o regime de Hitler. Enquanto isso, a URSS sofria nas mãos de outro ditador psicopata, Josef Stalin, amparado pelo regime comunista.

Em debate sobre o tema, não foram poucos os relativismos e até mesmo o argumento de que “o comunismo não prega o genocídio”, ou como forma de isenção criticar apenas Stalin. Alguns chegaram ao absurdo de pregar que o assassinato por racismo é pior do que o assassinato por ideologia, independentemente da crueldade. Quem conhece sobre o assunto, enxerga nitidamente a paixão ideológica nas declarações bem como o desconhecimento sobre o tema. 

Em primeiro lugar desfazemos a tentativa de acusar apenas Stalin como assassino. Muitos outros seguiram o mesmo caminho – Mao na China; Pol Pot em Camboja, Kim Il-Sung, Kim Jong-il e Kim Jong-Un na Coréia do Norte, Fidel em Cuba e outros.  Lenin apenas não teve tanto tempo para isso. Não foi o Stalinismo que matou milhões, e sim o comunismo.

A próxima falácia foi alegar que essas mortes não se trataram de genocídio. Outra mentira. Stalin matou milhões de ucranianos de fome, os Gulags, fato conhecido como Holodomor. As mortes podem ter chegado entre 6 a 15 milhões, o que obrigou alguns a recorrerem ao canibalismo. 

Aos que se apegam a nomenclatura e não ao crime, talvez não saibam sua origem. A definição de GENOCÍDIO se deu na Convenção para a Prevenção e a Repressão do Crime de Genocídio, de 1948, e previa a inclusão de assassinato de grupos políticos e sociais, contudo foi removido por pressão maior da URSS, justamente por temer investigações sobre o Grande Expurgo. 

Quanto a classificação de “morte melhor ou pior”, além de ser uma distinção quase criminosa, devemos atentar que o racismo não é “privilégio” dos nazistas, muito menos o antissemitismo. 

Os judeus foram a raça mais perseguida da história e essa perseguição também existia na URSS. A minissérie documental Trotsky, relata isso. Bem como há uma caracterização racial no marxismo.

“...a produtividade do trabalhador é limitada por condições físicas. Essas coisas são atribuíveis à constituição individual do homem em si (raça,etc.)...”
Marx, O Capital.

“... os espanhóis são uns degenerados... todos os vícios dos espanhóis existem nos mexicanos elevados à terceira potência”.
Marx, em carta a Engels em 1847.

Em Revolution in China and in Europe, Marx disse que os chineses sofriam de “estupidez hereditária”.

Engels achava que os povos eslavos não passavam de “lixo étnico” e que eram povos atrasados de “corpo entibiados” que só entraram pra história por intermédio dos “poderosos alemães”.

Ludwing Woltmann, famoso médico, filósofo e intelectual marxista, defendia uma espécie de marxismo racial, muito bem-visto depois pelos nacionais socialistas. Em Politische Anthropologie. 

É ingenuidade esperar que líderes totalitários digam claramente o que irão fazer quando chegarem ao poder. Basta ver o nome oficial de países totalitários que incluem “República” ou “Democrático”, bem como alertou há décadas George Orwell em seu 1984, com o duplipensar e a novilíngua.

Enquanto Hitler em Mein Kampf diz claramente sobre a eliminação dos judeus, Karl Marx e Engels falam sobre a eliminação da burguesia. Na prática o comunismo elimina todos que forem considerados inimigos do Estado. Nunca irão declarar que foi pela raça, credo, ou seja lá o que for.

Essa ginástica argumentativa, esse relativismo pontual e a ignorância sobre o assunto, é o que sustenta esses psicopatas, seja de um lado ou de outro. Déspotas como Hitler, Mao, Stalin e tantos outros, com a ajuda de seus seguidores irão eliminar todos que estiverem em seu caminho, utilizando ou não seus preconceitos. 

* Davidson Abreu, escritor e especialista em Segurança Pública 

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