Água: luta e dever de todos

Fazer as pessoas entenderem e se engajarem nesta causa é algo fundamental

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08 OUT 2020Por Artigo06h40
Foto: DIVULGAÇÃO

Por Alberto Pereira Mourão

É inconcebível pensar em vida humana na Terra sem água. Trata-se de um recurso natural essencial e finito. Ao longo dos últimos séculos a degradação e o desrespeito com o meio ambiente foram fatores determinantes para que muitos mananciais deixassem de existir. O clima no planeta mudou por conta do aquecimento global e as estiagens de chuvas são cada vez mais frequentes, o que colabora de forma contundente para a seca e a falta de distribuição deste bem em muitas regiões. De quem é a culpa? De todos nós! De quem é o dever de cuidar desta dádiva da natureza? De todos nós!

Preservar o meio ambiente e os mananciais é uma luta e um dever de todos! Não basta apenas o poder público desenvolver ações e projetos, é preciso que as pessoas passem a exercer, de fato, sua cidadania, desfrutando dos direitos e cumprindo com deveres. E, acredite, estamos muito atrasados nessa batalha. Alguns avanços ocorreram nos últimos anos, mas são passos pequenos para o longo caminho a ser percorrido em decorrência de tantos abusos com o meio ambiente. 

Entre as medidas eficazes que devem ser colocadas em prática estão a redução e extinção das queimadas, extração ilegal de madeira, desmatamento, práticas agrícolas agressivas ao meio ambiente e poluição industrial. Fiscalizar, cobrar, multar e até tomar uma atitude judicial mais contundente quando necessário fazem parte do trabalho de responsabilidade do poder público. 

A outra parte é da população, que também tem medidas que devem ser colocadas em prática, como a separação do lixo reciclável, o não descarte do óleo de cozinha em locais irregulares, como, por exemplo, o ralo, o descarte correto de lixo sempre em local adequado, evitar a utilização e o descarte de materiais como sacolinhas plásticas e embalagens em rios, lagos e mares, redução do desperdício de água, além de evitar a erosão do solo promovendo a cobertura vegetal e a redução do uso de produtos químicos na limpeza da casa, entre outras. 

As cidades da Região Metropolitana da Baixada Santista seguem trabalhando de forma intensa para proteger os mananciais que existem e, assim, melhorar a qualidade do abastecimento de água para a população e a redução de perdas. 

Dentro deste processo, o trabalho do Comitê da Bacia Hidrográfica da Baixada Santista (CBH-BS) ganha em importância. O órgão tem como objetivo discutir ações relacionadas ao uso, recuperação e preservação dos mananciais de águas da Região. Estou como presidente do CBH-BS pela segunda vez. Este mandato vai até 2021. O Comitê é considerado tripartite, já que conta em sua composição com representantes do Governo Estadual, Municipal e sociedade civil.

Os projetos aprovados dentro do CBH-BS são encaminhados para o Fundo Estadual de Recursos Hídricos (FEHIDRO), que tem a incumbência de financiar programas e ações na área de recursos hídricos. Desta forma, é importante explicar que a Baixada Santista já foi beneficiada diversas vezes com a vinda de verbas para o investimento neste setor.

Meu objetivo à frente do CBH-BS é trabalhar e desenvolver uma agenda de discussão enxuta e factível que possa levar a uma maior preservação de nossos mananciais. Otimizar os recursos financeiros, detalhar os projetos e despesas também fazem parte do gerenciamento do órgão.

Ações relacionadas à orientação e conscientização das pessoas também são realizadas. Esta é outra parte importante do processo. Fazer as pessoas entenderem e se engajarem nesta causa é algo fundamental. Nesta linha de atuação, a organização do Fórum Pacto pelas Águas da Baixada Santista é ferramenta eficaz para debater e chamar a atenção uma vez mais para o tema. Que todos possam aproveitar esta oportunidade com o conteúdo online que será disponibilizado nas redes sociais ao longo dos encontros, iniciados em setembro e que acontecerão até novembro. Esta luta é longa e toda ajuda é muito bem-vinda.

Alberto Pereira Mourão, presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica da Baixada Santista